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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Assassinato no Expresso do Oriente - Agatha Christie

O grande e nada modesto detetive Hercule Poirot tem que investigar um assassinato ocorrido no famoso Expresso do Oriente, durante uma nevasca que impede o deslocamento do trem. O vaidoso detetive encontra algumas dificuldades, desafios, muitas pistas e muitos suspeitos, nesse seu mais famoso caso. Contudo, ninguém é páreo para as pequenas ideias do detetive, o que ele sempre faz questão de deixar bem claro.  

Na releitura desse clássico de Agatha Christie, procurei observar o que antes me passou batido: o percurso do trem e o tempo da viagem. Fiquei surpresa ao descobrir que o livro não se passa completamente no Expresso do Oriente, mas começa na Síria, num trajeto que segue de Alepo até Constantinopla (atual Istambul). É nesse trajeto esquecido que o meu detetive favorito tem acesso a uma conversa alheia que é importante no desenrolar dessa história.

O percurso do Expresso do Oriente mostrado nesse livro se origina então em Constatinopla, e segue com várias paradas até Londres, destino final de Hercule Poirot e de alguns personagens. Percorre realmente toda a europa, e tem tempo de viagem estimado em 3 dias. Mas nos trilhos desse trem, surge uma nevasca inesperada acompanhada de um assassinato, e nada mais sai como previsto.

É engraçado reler um livro policial, nunca tinha passado por essas experiência antes. Sabendo do desfecho, as conversas e o comportamento dos personagens ganham novo significado. E mesmo sabendo o final, surpresas ainda são possíveis, graças ao talento da Dama do Crime.

Um aspecto interessante que tinha esquecido sobre a autora, ela costuma zombar do leitor, através da voz do protagonista, lembrando que o leitor é incapaz de solucionar o mistério, e que não possui a lucidez e a imaginação necessárias para desvendar o crime junto com o detetive. Uma brincadeira da autora, claro! Mas também não deixa de ser uma provocação para que usemos a nossa pequena massa cinzenta.

Uma excelente leitura, rápida e prazerosa.

terça-feira, 28 de março de 2017

Desventuras em Série v.3 e v.4, O lago das sanguessugas e Serraria baixo-astral- Lemony Snicket

As desventuras dos irmãos Baudelaire continuam.

Nesta segunda leitura, tenho observado que o Conde Olaf está muito mais maldoso e violento. Continua incrivelmente engraçado, mas muito mais vil, e cínico! O disfarce de Shirley ficou muito engraçado e estou ansiosa pra ver como deixaram Neil Patrick Harris na adaptação pra Netflix. No volume 4, senti falta do Conde Olaf, pois ele só apareceu na metade pro final e ainda assim, poucas vezes. O capataz Flacutono foi quem roubou a cena, e por vezes me confundiu achando que seria Olaf. Faz muitos anos que li os livros e não tenho muitas lembranças dos disfarces do Conde Olaf, Shirley surpreendeu. Embora nesses primeiros volumes o autor tenha seguido uma fórmula, os plano mirabolantes de Olaf para conseguir a fortuna dos Baudelaire são sempre originais.   

As mortes também ficaram mais violentas, comparando com os primeiros volumes. Ser devorado por sanguessugas e esmagado numa máquina de prensar madeira não são mortes comuns em livros para criancinhas. 

A personagem Tia Josephine é hilária, as correções gramaticais, os seus medos e o diálogo final dela com Olaf me arrancaram boas risadas. Da mesma forma, o duelo de Sunny (dente x espada) no livro 4 foi surreal e muito engraçado. E Phil, o otimista, continua na minha lista de melhores personagens. Acho divertido como ele só enxerga o lado bom de tudo. Um personagem que tem crescido bastante é o Sr. Poe. Antes achava ele chato, mas nessa releitura ele tem se mostrado bem engraçado. Eu acho interessante que os adultos são geralmente irresponsáveis e imuteis, mas mesmo assim os órfaos conseguem enxergar qualidades e nutrir algum grau de afeição por eles, pelo menos em relação aos tutores Tio Monty e Tia Josephine.

A história dos órfãos Baudelaire fica melhor a cada livro. Não sei se é uma série que agradaria a todos, por que tem um humor bem característico, muita ironia e humor negro. Além disso, os personagens adultos são bem caricaturais (atrapalhados, carentes, bobões). E as situações são irreais, surreais, assim como alguns diálogos. Isso tudo me agrada imensamente, mas algumas pessoas podem considerar como defeitos. 

Lamento muito a tradução brasileira não ter seguido a brincadeira dos títulos originais. As iniciais dos títulos são sempre repetidas nos volumes (The Wide Window e The Miserable Mill, por exemplo). Embora não tenha um significado mais profundo, é divertido. Bom, estou bem ansiosa para o volume 5 e 6, pois são os meu favoritos.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Desventuras em Série v.2: A Sala dos Répteis - Lemony Snicket

O que já era muito bom, melhorou ainda mais neste segundo volume da saga dos órfãos Baudelaire.

Tudo parece caminhar para um final feliz quando os órfãos são levados para o novo tutor, Tio Monty. Um pesquisador de cobras, que mora numa mansão e tem uma sala especial onde guarda todos os espécimes de ofídios que consegue capturar. O que parece assustador é na verdade muito divertido e as crianças finalmente conseguem se sentir felizes. Mas, por pouco tempo. Com a chegada do novo assistente de Tio Monty, a sorte dos Baudelaire muda radicalmente. Mais assustador do que nunca, o Conde Olaf mostra o que é capaz de fazer para conseguir a fortuna dos órfãos.

A principal mudança que senti em relação a primeira leitura e essa releitura é o sentimento despertado pelo Conde Olaf. Antes, achava-o engraçado e bizarro, agora fico um pouco assustada (e também um tanto chocada) com suas falas e ações intimidantes. Principalmente quando ele ameaça a bebê Sunny. É um vilão horrível, mas, ainda continua muito engraçado.

As intervenções do narrador Lemony, neste livro, estão bem melhores. Ele brinca com as palavras e significados e também faz graça em momentos de suspense. Suspeito que só melhora daqui pra frente.

Esse livro é bem mais engraçado que o anterior.

Abaixo, um trecho melancólico:
"É uma coisa curiosa, a morte de um ente querido. Todos sabemos que nosso tempo neste mundo é limitado, e que finalmente todos acabaremos debaixo de algum lençol, para não acordar nunca mais. No entanto, é sempre uma surpresa quando isso acontece a alguém que conhecemos. É como subir a escada para o seu quarto no escuro, e achar que há mais de um degrau do que realmente há. O pé resvala no ar e segue-se um aflitivo momento em que, colhida às cegas pela surpresa, a pessoa tenta adaptar-se à escuridão."

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Desventuras em Série v.1: Mau Começo - Lemony Snicket

Para acompanhar o lançamento da nova série da Netflix, decidi reler esses livrinhos maravilhosos que me fizeram a alegria alguns anos atrás. Já havia escrito um textinho sobre eles aqui e marquei-os na categoria de favoritos, junto com Italo Calvino e Saramago.

Este primeiro volume conta a história dos órfãos Baudelaire na sua primeira e mais terrível morada: a mansão do grande vilão Conde Olaf. A história é bem ameaçadora, do começo ao fim, e em alguns momentos, principalmente no final, se torna um ótimo suspense. Lembro que achava o conde muito engraçado, mas nessa releitura achei o conde amedrontador. Mesmo nas partes nonsense, como no jantar para a trupe de teatro. E falando neles! que grupo mais inacreditável. Adoro todos esses personagens da trupe do Conde Olaf.     

O livrinho é muito bom!! digo livrinho por que é pequeno e a leitura flui muito facilmente. Mas na verdade, é um grande livro com uma história muito envolvente. Confesso que achei o começo meio lacônico, resumido, mas basta a chegada do grande vilão para tornar a história atraente. Na verdade, esse início pode ser interpretado também como um começo misterioso, já que iremos conhecer a história da morte dos pais por partes, ao longo dos 13 volumes. 

A minha ideia inicial era reler no idioma original, já que li toda a série em português, e apenas o último em inglês. Mas não me organizei direito e acabei por reler em português mesmo. Tentarei com mais afinco conseguir os próximos livros em inglês. 

Deixo aqui uma passagem terrível:
 "Ainda que seja a última coisa que eu faça, hei de ficar com a sua fortuna", zumbiu a voz. "E quando tiver conseguido isso, vou matá-los, os três, com as minhas próprias mãos."

terça-feira, 8 de março de 2016

Orgulho e preconceito - Jane Austen

Com tantos livros bons e inéditos esperando para serem lidos, é um pouco complicado decidir fazer uma releitura. Principalmente no caso de Orgulho e preconceito que foi lido por mim em 2011, apenas 5 anos atrás.

Mas um clássico é um clássico. A história já é conhecida, assim como os personagens, mas o caminho percorrido não é mais o mesmo. São novas emoções, novas percepções, uma nova leitura. Como somos pessoas diferentes ao longo dos anos, a releitura também será diferente. Orgulho e preconceito foi o meu primeiro contato com Jane Austen, de forma que foi recompensador relê-lo depois de ter lido toda a sua obra. Pude perceber coisas que não tinha notado na primeira leitura, e a minha relação com a escritora ficou mais íntima. Além disso, foi possível me divertir novamente com os personagens queridos e a ironia da autora.

Acho que todo mundo conhece a história desse livro. Mas muitos acham que é sobre casamento, amor, romantismo... Na verdade, o casamento é mostrado não com um fim romântico, mas como meio de sobrevivência. Pois, naquela época, a mulher não tinha nenhuma outra perspectiva de vida decente fora do casamento.

Por isso que a Sra Bennet, mãe da protagonista, é tão desesperada para arrumar marido para suas filhas. Para ela o problema é ainda maior, pois são cinco meninas. Ela então cria planos mirabolantes e arriscados para fazer sua filha mais velha, Jane, se casar bem, ou seja, com um homem rico. Daí suas outras filhas teriam mais chances de se casarem e de fazerem boas uniões também.

No meio disso tudo está a protagonista, Elizabeth Bennet, que possui um discurso mais moderno em relação ao casamento, mas que ao mesmo tempo entende a sua situação e a das irmãs, e sabe que em breve terá que se submeter às exigências da sociedade. De personalidade forte, Elizabeth não é uma típica garota do século 19. Ela avalia de forma inteligente a sua posição como mulher e a educação a que é submetida. Causa furor com seus comentários perspicazes e insubordinados.    

Tenho muita simpatia pelos coadjuvantes de Jane Austen, são personagens espirituosos, muito bem construídos e interessantes. Destaco aqui a maravilhosa Sra Bennet e o ridículo Sr. Collins. A escrita da autora é de uma sutiliza a refinamento únicos. O texto é elegante, porém simples. E o bom humor e a ironia sempre presentes. É um livro que se lê de uma tacada só.

As vezes incomoda essa alcunha de escritora romântica que Jane Austen parece carregar entre seus leitores desatentos. Os seus livros não se enquadram em nenhum movimento literário, tem caráter único. Suas heroínas não são românticas, e o amor é visto de forma mais racional e prática. Além disso, tanto as mocinhas quanto os mocinhos, cometem erros e tem defeitos. Distanciando-se bastante, então, dos modelos românticos.
"Sem ter em alta conta nem os homens, nem o matrimônio, o casamento sempre fora o seu objetivo; era o único futuro para uma moça bem-educada, de pequena fortuna, e, ainda que não fosse certo que trouxesse felicidade, devia ser a mais agradável proteção contra a necessidade."