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sábado, 1 de julho de 2017

Maigret e os colegas americanos - Georges Simenon

Como esperado, Simenon apresenta outra leva de ótimos personagens em meio a um intrigante caso de morte. Mas dessa vez, Maigret é um mero expectador, que assim como nós, leitores, acompanha a investigação com fascínio e curiosidade, mas de mãos atadas. Pois não estamos mais na França, mas nos EUA.

Maigret está acompanhando o modus operandi dos colegas americanos em diversas investigações criminais, uma espécie de intercâmbio profissional, uma troca de experiências e conhecimentos. É no estado do Arizona que Maigret encontra um caso intrigante: uma moça morta e 5 suspeitos clamando inocência. Rapidamente o interesse de Maigret na investigação nos contagia também, e a leitura segue rápida e fluida.

Elejo este o melhor livro de Maigret lido até o momento. Engraçado que outro livro de Simenon que gosto bastante é justamente outra história em que ele viaja (Maigret sai em viagem), acho que é reflexo do meu interesse por viagens e culturas diferentes. 

Neste livro, Maigret está longe de casa, sozinho com os seus pensamentos. Reflete principalmente sobre as diferenças culturais entre França e EUA. Sociedades diferentes, costumes diferentes, métodos de investigação diferentes. Maigret observa tudo, vestimentas, arranha-céus, os bares, os clubes, o uso exagerado do carro, e a dependência por álcool. O ápice desses pensamentos está nas páginas 72 e 73, onde Maigret sugere existir uma miséria escondida nessa sociedade, que parece ter tudo. 

Leitura excelente! O final pode parecer um tanto frustrante, mas o que importa não é o veredito, mas os esclarecimentos dos fatos. Nessa história, além de leitores somos jurados também. Cabe a cada leitor dar o seu veredito.

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

O cachorro amarelo - Georges Simenon

Tenho esse projetinho tímido de ler um Maigret por ano. É bem difícil de cumprir, pois são livros curtinhos, tão bons, tão gostosos de ler, que tenho que me segurar para não terminar de ler um e já emendar outro em seguida. Quando se gosta muito de um gênero, no meu caso, o policial, é preciso ter cuidado para não cair na armadilha de ficar lendo apenas isso. Todo mundo sabe que ler faz bem ao cérebro, mas não é aconselhável ler apenas um tipo de literatura, pra não ficar bitolado.

Depois de ter lido alguns livros de Simenon e do seu Maigret, posso dizer que acho que será difícil encontrar um que venha a ser uma leitura ruim. Mas este, O cachorro amarelo, é o melhor que li até agora. Se passa lá em mil novecentos e bolinha, e mesmo tão antigo, continua muito atual. Pois tem como mote principal a interferência da imprensa em investigações policiais.

Maigret precisa resolver um crime que aconteceu numa cidadezinha litorânea da França, onde a principal testemunha é um cachorro amarelo que surgiu do nada e não pertence a ninguém. Pelo seu caráter enigmático, o crime ganha bastante repercussão na imprensa, o que atrapalha as investigações de Maigret e também cria um clima de terror na cidade.

Maigret, sempre taciturno, resolve o crime de maneira magistral. Porém, passa por algumas dificuldades, sendo pressionado pela imprensa e também pelo prefeito da cidade, que exige que alguém seja preso, qualquer um, para que a cidade se acalme.

Achei essa leitura muito interessante, pois tem uma direta relação com os tempos de hoje, da tão falada pós-verdade. Onde a informação corre muito mais rápido e a imprensa, junto com as redes sociais, é quem diz o que está certo/errado, quem é inocente/culpado. Em determinado momento da história, o próprio policial investigador do caso acaba sabendo do desenrolar da investigação através de jornalistas. Em outro, a população promove uma sessão de linchamento influenciada pelas notícias publicadas nos jornais.

Além do suspense da investigação e do surgimento de novas vítimas, o leitor também encontra um acanhado, mas presente, clima de terror, já que o cachorro do título revela-se com um certo ar fantasmagórico, aparece e desaparece, deixa pegadas, surge do nada. Muito bom! Só me senti um pouco triste no final, pois desejava um desfecho diferente para o cachorro.

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Maigret e o negociante de vinhos - Simenon

Mais uma vez Simenon surpreende com uma história de investigação policial com um quê de tratado de psicologia.

Publicado em 1970, este livro distingui-se por evidenciar o comportamento das personagens femininas. Quase sempre mulheres independentes e modernas. Ao mesmo tempo, o morto é um personagem dominador, machista e desprezível. Temos aí um balaio bem interessante. Já Maigret aparece como o de sempre, perspicaz, equilibrado e gentil. Suas reflexões a respeito do morto e dos suspeitos merecem grifo e sempre contribuem para os pontos altos nos livros da série. Outro personagem merecedor de atenção é o resfriado de Maigret, que insiste em atrasar as investigações.

Em o negociante de vinhos, Maigret precisa identificar o assassino de um rico comerciante, que tem um perfil libidinoso e perverso. A grande quantidade de suspeitos, as cartas anônimas, a ameaça de uma forte gripe, dificultam as investigações. O desfecho é tenso, mas esperado e bem mastigadinho. Mesmo assim, o livro é satisfatório.

Continuo muito admirada pelo estilo narrativo de Simenon, e mais uma vez encerro a leitura já pensando no próximo livro dele.
"Fechou os olhos e por um tempo bastante longo permaneceu como que suspenso entre a vigília e o sono. Percebia que escorregava imperceptivelmente e era uma sensação agradável que não tinha vontade de dissipar."




quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Maigret e os crimes do cais - Simenon

Jules Maigret é o personagem principal de muitos livros de Georges Simenon. Ele é um experiente investigador da polícia francesa que usa do seu vasto conhecimento da natureza humana para desvendar os crimes. Aqui e acolá também emprega subterfúgios para entender os suspeitos e envolvidos nos casos.

Simenon aborda o romance policial de forma diferenciada, o crime aqui não é o foco, mas sim os personagens, a vítima e os suspeitos. O tom filosófico presente nos diálogos e reflexões do texto também o distinguem de seus colegas da literatura policial. 


Em os crimes do cais, Maigret precisa investigar uma tentativa de homicídio que envolve um rico comerciante de Paris. Para atrapalhar a sua aposentadoria vindoura, mais dois crimes se juntam ao primeiro. Maigret deve solucionar esses crimes enquanto está em contagem regressiva para aposentadoria.

Este é apenas o meu terceiro livro de Simenon e Maigret, tenho mais 70 histórias pela frente. 

- Imagine dois homens - ele disse, servindo a bebida. - Um que já matou e que corre o risco de ir para a cadeia pelo resto dos seus dias, ou algo pior do que isso, e o outro q ue nunca fez mal a ninguém. Estão atrás um do outro como dois galos. Qual é, na sua opinião, o mais perigoso?