Mostrando postagens com marcador e-book. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador e-book. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Assassinato no Expresso do Oriente - Agatha Christie

O grande e nada modesto detetive Hercule Poirot tem que investigar um assassinato ocorrido no famoso Expresso do Oriente, durante uma nevasca que impede o deslocamento do trem. O vaidoso detetive encontra algumas dificuldades, desafios, muitas pistas e muitos suspeitos, nesse seu mais famoso caso. Contudo, ninguém é páreo para as pequenas ideias do detetive, o que ele sempre faz questão de deixar bem claro.  

Na releitura desse clássico de Agatha Christie, procurei observar o que antes me passou batido: o percurso do trem e o tempo da viagem. Fiquei surpresa ao descobrir que o livro não se passa completamente no Expresso do Oriente, mas começa na Síria, num trajeto que segue de Alepo até Constantinopla (atual Istambul). É nesse trajeto esquecido que o meu detetive favorito tem acesso a uma conversa alheia que é importante no desenrolar dessa história.

O percurso do Expresso do Oriente mostrado nesse livro se origina então em Constatinopla, e segue com várias paradas até Londres, destino final de Hercule Poirot e de alguns personagens. Percorre realmente toda a europa, e tem tempo de viagem estimado em 3 dias. Mas nos trilhos desse trem, surge uma nevasca inesperada acompanhada de um assassinato, e nada mais sai como previsto.

É engraçado reler um livro policial, nunca tinha passado por essas experiência antes. Sabendo do desfecho, as conversas e o comportamento dos personagens ganham novo significado. E mesmo sabendo o final, surpresas ainda são possíveis, graças ao talento da Dama do Crime.

Um aspecto interessante que tinha esquecido sobre a autora, ela costuma zombar do leitor, através da voz do protagonista, lembrando que o leitor é incapaz de solucionar o mistério, e que não possui a lucidez e a imaginação necessárias para desvendar o crime junto com o detetive. Uma brincadeira da autora, claro! Mas também não deixa de ser uma provocação para que usemos a nossa pequena massa cinzenta.

Uma excelente leitura, rápida e prazerosa.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Coração de tinta - Cornelia Funke

Os protagonistas são Mortimer e sua filha Meggie. Ele é um encadernador e restaurador de livros raros, e tem um estilo de vida discreto, recluso. Meggie é uma pré-adolescente que adora ler, e herdou do pai a paixão por livros. Já a mãe de Meggie desapareceu misteriosamente muitos anos atrás e esse assunto é um tabu na relação dos dois.

Coração de tinta é uma história original e interessante, mas pouco equilibrada. Tem um início enrolado, arrastado, que de tanto tentar esconder a verdadeira trama, acaba por tornar a história desinteressante. A aparição de personagens mais divertidos como Dedo empoeirado e a Tia Elinor, dá um fôlego temporário a historia, mas por pouco tempo. Nem a aparição do vilão consegue empolgar, além de ter um nome ruim, Capricórnio, é um personagem clichê, tedioso e, pior, não mete medo nenhum.

Mas a história toma um rumo inesperado com a aparição do escritor Fenoglio, um personagem chave nessa historia. Aí sim, o livro fica bom.

Um aspecto positivo, é que os capítulos são iniciados com passagens de outros livros, não é inédito, mas não deixa de ser legal. Esses trechos literários e o fato de os protagonistas serem leitores deixa história mais interessante. É atraente também a particular habilidade do protagonista Mortimer, me peguei divagando o que faria se tivesse a mesma capacidade.

Por fim, o livro é uma boa ideia, mas peca pela instabilidade. É uma série em 3 volumes, mas que não me deixou com vontade de continuar.

terça-feira, 28 de março de 2017

Desventuras em Série v.3 e v.4, O lago das sanguessugas e Serraria baixo-astral- Lemony Snicket

As desventuras dos irmãos Baudelaire continuam.

Nesta segunda leitura, tenho observado que o Conde Olaf está muito mais maldoso e violento. Continua incrivelmente engraçado, mas muito mais vil, e cínico! O disfarce de Shirley ficou muito engraçado e estou ansiosa pra ver como deixaram Neil Patrick Harris na adaptação pra Netflix. No volume 4, senti falta do Conde Olaf, pois ele só apareceu na metade pro final e ainda assim, poucas vezes. O capataz Flacutono foi quem roubou a cena, e por vezes me confundiu achando que seria Olaf. Faz muitos anos que li os livros e não tenho muitas lembranças dos disfarces do Conde Olaf, Shirley surpreendeu. Embora nesses primeiros volumes o autor tenha seguido uma fórmula, os plano mirabolantes de Olaf para conseguir a fortuna dos Baudelaire são sempre originais.   

As mortes também ficaram mais violentas, comparando com os primeiros volumes. Ser devorado por sanguessugas e esmagado numa máquina de prensar madeira não são mortes comuns em livros para criancinhas. 

A personagem Tia Josephine é hilária, as correções gramaticais, os seus medos e o diálogo final dela com Olaf me arrancaram boas risadas. Da mesma forma, o duelo de Sunny (dente x espada) no livro 4 foi surreal e muito engraçado. E Phil, o otimista, continua na minha lista de melhores personagens. Acho divertido como ele só enxerga o lado bom de tudo. Um personagem que tem crescido bastante é o Sr. Poe. Antes achava ele chato, mas nessa releitura ele tem se mostrado bem engraçado. Eu acho interessante que os adultos são geralmente irresponsáveis e imuteis, mas mesmo assim os órfaos conseguem enxergar qualidades e nutrir algum grau de afeição por eles, pelo menos em relação aos tutores Tio Monty e Tia Josephine.

A história dos órfãos Baudelaire fica melhor a cada livro. Não sei se é uma série que agradaria a todos, por que tem um humor bem característico, muita ironia e humor negro. Além disso, os personagens adultos são bem caricaturais (atrapalhados, carentes, bobões). E as situações são irreais, surreais, assim como alguns diálogos. Isso tudo me agrada imensamente, mas algumas pessoas podem considerar como defeitos. 

Lamento muito a tradução brasileira não ter seguido a brincadeira dos títulos originais. As iniciais dos títulos são sempre repetidas nos volumes (The Wide Window e The Miserable Mill, por exemplo). Embora não tenha um significado mais profundo, é divertido. Bom, estou bem ansiosa para o volume 5 e 6, pois são os meu favoritos.

quarta-feira, 8 de março de 2017

O sol é para todos - Harper Lee

A história nos é contada pela personagem Scout, que já adulta (ou mais velha) relembra os fatos que acompanharam a época em que o pai dela defendeu um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca. Isso lá nos anos de 1930, onde o racismo e a segregação americana estavam no auge. Atticus, o pai, sendo um advogado branco, sofre retaliação e acusações da comunidade branca e conservadora do local, que não aceita que ele defenda um homem negro. Scout narra o seu cotidiano, suas brincadeiras, seus primeiros dias na escola e também o tal caso em que seu pai é advogado, sendo justamente o clímax da historia, o julgamento.

O tema principal abordado nesse livro é o racismo, sem dúvida. Mas as partes mais lindas e inesquecíveis são aquelas que tratam da infância da personagem Scout, as brincadeiras, as férias escolares, os amigos de infância. O universo dos adultos também é mostrado através do olhar da personagem, que ganha novo significado com o ponto de vista doce, infantil e ingênuo dela.

O personagem mais interessante é o pai, Atticus. Um senhor já quase idoso, viúvo, muito bem quisto na comunidade, e que está determinado a fazer o que é certo, mesmo que não seja o esperado pelas pessoas com quem convive. Um personagem de várias camadas, que conquista pela coragem e lucidez, embora também cometa erros.

Não poderia deixar de falar da belíssima metáfora do título original: How to kill a monckinbird. Que faz referência a covardia que se comete matando passarinhos por esporte, associada a uma morte injusta que ocorre no livro. É tocante!  

É um livro muito sensível, um drama que arranca lágrimas, mas que foge do novelesco e da pieguice. É um livro encantador.

A parte final é belíssima, mostra o amadurecimento de Scout. É de uma sensibilidade gigante. Um dos momentos mais lindos que já li. É um livro formidável, que desperta vários sentimentos e sensações. Que pedi uma releitura assim que é acabado. É por isso que é um livro que mesmo tão jovem, já é um clássico.


"-Bem, muita gente pensa que elas é qu'tão certas e 'ocê é qu'tá enganado...
          -Elas tem todo o direito de pensar dessa forma, como também tem o direito a que as suas          
          opiniões sejam respeitadas - disse Atticus - mas antes de viver com outros, tenho de viver      
         comigo próprio. E a única coisa que se sobrepõe à regra da maioria é a nossa consciência." 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Desventuras em Série v.2: A Sala dos Répteis - Lemony Snicket

O que já era muito bom, melhorou ainda mais neste segundo volume da saga dos órfãos Baudelaire.

Tudo parece caminhar para um final feliz quando os órfãos são levados para o novo tutor, Tio Monty. Um pesquisador de cobras, que mora numa mansão e tem uma sala especial onde guarda todos os espécimes de ofídios que consegue capturar. O que parece assustador é na verdade muito divertido e as crianças finalmente conseguem se sentir felizes. Mas, por pouco tempo. Com a chegada do novo assistente de Tio Monty, a sorte dos Baudelaire muda radicalmente. Mais assustador do que nunca, o Conde Olaf mostra o que é capaz de fazer para conseguir a fortuna dos órfãos.

A principal mudança que senti em relação a primeira leitura e essa releitura é o sentimento despertado pelo Conde Olaf. Antes, achava-o engraçado e bizarro, agora fico um pouco assustada (e também um tanto chocada) com suas falas e ações intimidantes. Principalmente quando ele ameaça a bebê Sunny. É um vilão horrível, mas, ainda continua muito engraçado.

As intervenções do narrador Lemony, neste livro, estão bem melhores. Ele brinca com as palavras e significados e também faz graça em momentos de suspense. Suspeito que só melhora daqui pra frente.

Esse livro é bem mais engraçado que o anterior.

Abaixo, um trecho melancólico:
"É uma coisa curiosa, a morte de um ente querido. Todos sabemos que nosso tempo neste mundo é limitado, e que finalmente todos acabaremos debaixo de algum lençol, para não acordar nunca mais. No entanto, é sempre uma surpresa quando isso acontece a alguém que conhecemos. É como subir a escada para o seu quarto no escuro, e achar que há mais de um degrau do que realmente há. O pé resvala no ar e segue-se um aflitivo momento em que, colhida às cegas pela surpresa, a pessoa tenta adaptar-se à escuridão."

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Desventuras em Série v.1: Mau Começo - Lemony Snicket

Para acompanhar o lançamento da nova série da Netflix, decidi reler esses livrinhos maravilhosos que me fizeram a alegria alguns anos atrás. Já havia escrito um textinho sobre eles aqui e marquei-os na categoria de favoritos, junto com Italo Calvino e Saramago.

Este primeiro volume conta a história dos órfãos Baudelaire na sua primeira e mais terrível morada: a mansão do grande vilão Conde Olaf. A história é bem ameaçadora, do começo ao fim, e em alguns momentos, principalmente no final, se torna um ótimo suspense. Lembro que achava o conde muito engraçado, mas nessa releitura achei o conde amedrontador. Mesmo nas partes nonsense, como no jantar para a trupe de teatro. E falando neles! que grupo mais inacreditável. Adoro todos esses personagens da trupe do Conde Olaf.     

O livrinho é muito bom!! digo livrinho por que é pequeno e a leitura flui muito facilmente. Mas na verdade, é um grande livro com uma história muito envolvente. Confesso que achei o começo meio lacônico, resumido, mas basta a chegada do grande vilão para tornar a história atraente. Na verdade, esse início pode ser interpretado também como um começo misterioso, já que iremos conhecer a história da morte dos pais por partes, ao longo dos 13 volumes. 

A minha ideia inicial era reler no idioma original, já que li toda a série em português, e apenas o último em inglês. Mas não me organizei direito e acabei por reler em português mesmo. Tentarei com mais afinco conseguir os próximos livros em inglês. 

Deixo aqui uma passagem terrível:
 "Ainda que seja a última coisa que eu faça, hei de ficar com a sua fortuna", zumbiu a voz. "E quando tiver conseguido isso, vou matá-los, os três, com as minhas próprias mãos."

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Harry Potter and the Cursed Child: parts one and two - J.K. Rowling, John Tiffany, Jack Thorne

Antes de tudo, é preciso dizer que sou fã dos livros de Harry Potter. Comecei a ler já adulta, apesar de ter me encantado como uma menininha. Sou apaixonada por esse universo criado pela maravilhosa JK Rowling.

Dito isso, confesso que tenho sentimentos conflituosos sobre esse Harry Potter and the Cursed Child, oitava história do bruxinho, idealizada por JK Rowling, John Tiffany e Jack Thorne, e transformada em peça teatral por este último. Mesmo tendo achado a história boa, no geral, e gostado razoavelmente da leitura, acho que a sensação gostosa de nostalgia escondeu ou sobrepujou alguns pontos falhos dessa nova história. E em muitos momentos ficou a sensação de estar lendo um filler.

O livro começa com o mesmo clima piegas que encerrou o livro anterior. E continua com uma série de chavões, que não irritam, mas diminuem muito o brilho da história. Pesquei alguns momentos "eu já vi isso antes" (sem fazer referência a trama principal, tá) e a construção de alguns personagens novos foi bem preguiçosa e pobre. Algumas partes são bem chinfrim mesmo, como a aliança entre Harry Potter e um antigo inimigo, e as motivações dos dois protagonistas.

No entanto, é possível reconhecer o dedo de JK aqui e acolá. E o clima nostálgico toma conta de grande parte da história, anuviando as falhas e emocionando o leitor. Mesmo havendo dificuldade de identificação com os protagonistas, é possível torcer por um final feliz.

Ponto positivo ficou com o retorno do vira-tempo e toda a discussão envolvida sobre viagens no tempo e seus efeitos, perigos e vantagens. Embora o filme De volta para o futuro e o próprio Harry Potter e o Prisioneiro de Askaban tenham feito um trabalho melhor, viagens no tempo são sempre assuntos interessantes e conquistam o leitor facilmente.

Outro ponto que me agradou foi a sensação de existir uma certa tensão sexual entre os dois protagonistas, Albus e Scorpion. Por mais que os dois tenham seus interesses amorosos direcionados para garotas, ficou no ar uma leve atração entre os dois. Gostaria que tivesse ficado mais claro.

Não posso deixar de comentar a parte mais engraçada, a grande fofoca que envolve a verdadeira paternidade de um dos protagonistas: hilário!

Bom, queria ter visto mais. Mais de Neville, mais de Rony, mais do filho de Lupin. E, principalmente, mais de Rose. Na verdade, foi uma grande decepção a personagem ter sido preterida na trama, ela é bem mais interessante do que os dois protagonistas juntos.

Harry Potter and the Cursed Child não é um livro ruim. É só uma história muito menos brilhante de JK e que peca um bocadinho quando exagera na pieguice e nos clichês. Mas li tudo com um sorriso no rosto e satisfeita por ter reencontrado personagens queridos e também retornado mais uma vez a este universo.

domingo, 17 de abril de 2016

Fangirl - Rainbow Rowell

Sabe quando você tem preguiça e quer uma leitura pra usar o cérebro na capacidade mínima, e mesmo assim, ainda se divertir? pois este livro é perfeito.

O livro conta a história de Cath, que é fã de uma série de livros sobre um menino bruxo e seus amigos (qualquer coincidência com Harry Potter é pura verdade). Cath não é apenas uma fã, ela é escritora de fanfics, histórias criadas por fãs, e faz muito sucesso na internet. A vida dela muda quando entra para a universidade e tem que se acostumar com novas circunstâncias.

Não me agradei das desventuras amorosas da protagonista, nem do enredo da irmã "aborrecente", muito menos do mocinho analfabeto funcional. A escrita também não tem nada de especial e deixa a desejar em vários momentos. Mas achei muito criativa toda a trama da fanfic. Gostei também dos capítulos serem intercalados com trechos da fanfic da protagonista, história bem mais cativante do que a da própria Cath.

Bom, livrinho despretensioso, com poucas qualidades, mas que consegue distrair e divertir.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

O duque e eu - Julia Quinn

Livro bobinho, que se sustenta a base de melodrama e erotismo. O meu interesse por essa leitura foi por que adoro romances históricos e sagas familiares. Sou apaixonada por Cem anos de solidão e Espaço terrestre - Gabriel Garcia Marques e Gilvan Lemos (se alguém souber de mais livros nesse estilo me avise) - O duque e eu, na verdade, é o primeiro de uma série chamada The Bridgertons, que conta como foi o casamento dos oito filhos da família Bridgertons. Tem árvore genealógica e tudo.

Mas o texto é fraco, sem nenhum refinamento. Os diálogos são rasos e os personagens são privados de carisma. Desconfio que a reconstituição histórica seja falha, ou talvez muito superficial. Existe uma corrente de leitores dessa série que alardeia semelhanças com a grande Jane Austen. Não vejo essa semelhança toda, na verdade, não vejo semelhança alguma.

O enredo prometia alguma coisa interessante, mas tomou um rumo completamente inesperado. Principia com uma historinha inocente, e teria funcionado para mim se continuasse nesse rumo, mas culmina num dramalhão chato e exagerado.

Mas existe um lado bom, os capítulos se inciam com trechos de uma coluna de fofoca, uma autora anônima que entrega os podres da sociedade londrina da época. Achei bem bolado e divertido.

Por ser um texto insipiente e exigir pouco do leitor, a leitura corre muito rápido e quando se dá conta, o livro acabou, nem dá tempo de pensar em abandonar. Fiquei curiosa para saber como será o casamento de cada membro da família, e também quero saber quem é essa fofoqueira anônima, mas não penso em continuar a série.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Rei Arthur e os cavaleiros da Távola Redonda, edição comentada e ilustrada - Howard Pyle

Não me agradei muito desse livro. A leitura foi arrastada e os personagens pouco cativantes. Na verdade, fiquei indignada com o próprio protagonista, o Rei Arthur, que mais parece um playboy adolescente do que um rei. Além da péssima impressão que deixou Arthur, os cavaleiros e membros da corte também não me agradaram, salvo algumas exceções. Todos eles parecem bobões e quixotescos, e as mulheres são arrogantes, manipuladoras ou traidoras. A única figura feminina que não se enquadra nesse padrão é uma figura mítica, uma fada. Ou seja, não existem mulheres honradas no universo desse livro. Além de tudo, o texto tem um tom meio moralístico, chato!

Apesar disso, a história promete alguma diversão quando mostra os duelos. Porém são trechos curtos e raros. A aparição da espada Excalibur e das feiticeiras Vivien e Morgana foram responsáveis pelas melhores partes e contribuíram para dar ao livro uma boa impressão. Do mesmo modo, o arco de Sir Pellias, o Cavaleiro Gentil, e o seu simpático sofrimento.

Outro aspecto positivo do livro é o texto de abertura, que traz um breve histórico, distinguindo o real do mito. Conta a origem da cavalaria, a evolução da lenda do Rei Arthur. Mas, eu recomendo deixar a leitura dessa parte para o final, pois traz revelações da trama.

As ilustrações são boas, cheias de detalhes. Mas, não tocaram o coração. Este livro é o primeiro de uma quadrilogia desse autor, mas não pretendo continuar a leitura dos próximos volumes. Foi uma boa introdução ao universo do Rei Artur, já que pretendo iniciar a leitura de duas séries: As Brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley e As Crônicas de Artur, de Bernard Cornwell. 

"De fato, não sei de maior bem que poderia desejar a vocês nesta vida do que sentir a mesma alegria de alguem que deu o melhor de si e foi inteiramente bem sucedido no que se propôs a fazer"

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

A mulher da gargantilha de veludo e outras histórias de terror - Alexandre Dumas

Não conhecia dessa veia tenebrosa de Alexandre Dumas. Ele é famoso pelos romances históricos, como o excelente A rainha Margot, e os livros chamados de "capa e espada", como Os três mosqueteiros. Foi uma boa surpresa conhecer esse lado do autor.

O livro é formado por dois contos, 1001 fantasmas e A mulher da gargantilha de veludo. O primeiro, o melhor na minha opinião, começa de forma bem intrigante e assustadora, e o desenrolar é bem inusitado. Acontece em volta de uma mesa de jantar, em que cada um dos presentes tem uma história arrepiante para contar. Já o segundo é uma história romântica, numa Paris revolucionária, com decapitações e clima de morte. Não dá para esperar um final feliz para esta história.

O autor faz uma reconstituição de fatos históricos importantes para a França e introduz como personagens pessoas que de fato existiram. Até mesmo o próprio Dumas é personagem de um dos contos.

A introdução é excelente, não só por narrar a vida de Alexandre Dumas, mas também pela revelação de suas influências como autor. Surpreendente saber que impressionou-se bastante com As mil e uma noites, a ponto de reproduzir em seus próprios trabalhos algumas das técnicas narrativas de Sherazade.

Percebi mais um lado positivo em ler em e-books. As notas explicativas, que são pouco práticas e nada atrativas nos livros tradicionais, tornam-se muito interessantes nesse formato. É só clicar no número, ler a nota e clicar de volta no número, e voltamos para onde paramos de ler no texto. Sem o atrapalho das muitas páginas entre o início da nota e o fim do capítulo. Esse recurso ajudou muito a entender o contexto histórico dessa leitura, já que não sou expert em história da França nem sei de cabeça todos os seus reis e como morreram. Se fosse em formato tradicional não me daria o trabalho de ler as notas.

Abaixo segue trecho bem humorado em que o autor relata como foi a morte de Voltaire:

- "Cavalheiro, reconhece a trindade de Jesus Cristo?"
- "Cavalheiro, permita que eu morra sossegado, por favor." Responde-lhe Voltaire.
- "Entretanto", continua Tersac, preciso saber se reconhece Jesus Cristo como filho de Deus".
- "Em nome do Diabo", exclama Voltaire, "não me fale mais desse homem" - e, reunindo o pouco de forças que lhe resta, dá um soco na cabeça do vigário e morre.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Jack e Alice - Jane Austen

Diante da escassez de novelas de Jane Austen, pois li todas as principais, ando catando as obras remanescentes - incompletas, ensaios e experimentos - da autora que encontro pelo caminho. Li então, recentemente, o ótimo Lady Susan, que está classificado como uma de suas obras curtas. Já este Jack e Alice é uma novelinha bem curtinha também e que foi escrita durante a sua adolescência. Para quem já está familiarizado com o estilo de Jane Austen, dá pra sentir mesmo a juventude da autora nessa historinha.

Logo de cara, chama a atenção que é um livro apressado, a história corre em nove pequenos capítulos e sem demora o desfecho vai se construindo. Em alguns momentos, a história perde um pouco de sentido e deixa a impressão de que não passa de uma grande brincadeira para Jane Austen.

Fica claro também que esta obra é um ensaio ou um experimento para os seus grandes romances. Pois, já podemos identificar as características mais marcantes da autora, como o tom sarcástico, a ironia e o bom humor do seu texto. Acho que essa obra, assim como Lady Susan, contribuiu para o seu crescimento como autora e também como instrumento de composição para o seu estilo literário.

Como já mencionado, o livro é bem curto. A história gravita em torno dos convidados de uma festa a fantasia. Os personagens vestem fantasias alusivas às suas personalidades e caráter. Como por exemplo, o pseudo herói e muito vaidoso Charles Adams, que usa simplesmente uma máscara que representa o sol (inclusive, a citação narcisista presente no final deste texto é desse personagem). A protagonista é a jovem e embriagada Alice, que entre um copo e outro de vinho, busca um casamento bem sucedido. E Jack? bem, Jack é uma brincadeira bem divertida da autora.

Recomendo este livro para aqueles que, como eu, já leram toda a obra principal de Jane Austen. Essas pequenas histórias ficam mais divertidas quando se conhece a essência da autora.

Enfim, ando um pouco melancólica pois estou esgotando as obras dessa autora querida. Minha próxima leitura dela será a Juvenilia e depois não tem mais nadinha.

"Não espero da minha esposa nada além do que minha esposa irá encontrar em mim...perfeição"

terça-feira, 1 de setembro de 2015

Grandes esperanças - Charles Dickens

Não sei porque nunca tinha lido nada de Charles Dickens. É autor consagrado, popular, inglês e nunca esteve em nenhuma lista minha de próximas leituras, nem de autores indispensáveis. O equívoco começou a ser corrigido com a leitura do excelente Grandes esperanças.

O livro é um passeio por Londres nos primeiros anos do século 19. Acompanhamos a história de Pip, um menino pobre e órfão, criado a "mão" por sua irmã mais velha e seu esposo Joe, o ferreiro. Pip tem seu destino alterado em dois momentos da história, o primeiro é quando cruza o caminho de um presidiário foragido, que precisa da sua ajuda. E o segundo é quando passa a frequentar a casa de Miss Havisham, uma senhora esquisita e muito rica que talvez possa trazer benefícios para Pip. O condenado é assustador e causa grande impressão no menino. Mas é a vivência na casa de Miss Havisham que vai alterar profundamente a personalidade do garoto.

Miss Havisham é a personagem mais interessante desse livro. Uma solteirona meio maluca que foi abandonada no dia do casamento e desde então deixou de viver. Ainda veste o vestido de noiva e conserva os comes e bebes que seriam consumidos na festa de casamento, que nunca aconteceu. Uma figura.

O título vem do surgimento de um misterioso benfeitor, que apadrinha Pip e financia a sua educação. Lançando grandes expectativas sobre o futuro do jovem. A identidade do padrinho permanece secreta até perto do final, o que gera muitas especulações.

O livro é dividido em 3 partes, sendo as duas primeiras impecáveis. Já a terceira e última desanda um pouco, e poderia facilmente ser chamada de "grandes coincidências". Apesar da última parte, o livro é excelente, em poucos capítulos já havia experimentado vários sentimentos distintos. Os personagens são cativantes, como Biddy e o ferreiro Joe. Até mesmo a insuportável Estella desperta afeição.

Adorei a experiência de ler Charles Dickens e mal posso esperar para pegar o próximo livro dele.
Tive dificuldade em selecionar apenas um trecho do livro para encerrar este texto, então aqui estão quatro passagens:

"Eu era covarde demais para fazer o que eu sabia que era certo, como tinha sido covarde demais para evitar fazer aquilo que eu sabia ser errado."
"Então olhei para as estrelas, e pensei em como seria terrível para um homem erguer o rosto para elas enquanto congelava até a morte, sem ver qualquer ajuda ou piedade naquela multidão de astros cintilantes".
"No pequeno mundo em que vivem as crianças, não importa quem as crie, nada é mais delicadamente percebido, nada é mais delicadamente sentido que a injustiça."
"Nenhum trapaceiro na face da terra nos engana tão bem quanto o trapaceiro que existe em nós".

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Mujica: a revolução tranquila - Maurício Rabuffetti

Fiquei intrigada quando soube que Pepe Mujica não era unanimidade em seu próprio país. Ao fim de seu mandato obteve apenas 56% de aprovação, o que está bem abaixo do que eu esperava, apesar de ainda ter sido aprovado pela maioria. Nesta biografia, que o próprio autor diz se tratar, na verdade, de um perfil biográfico, fica mais fácil entender como foi realmente o seu governo e o porque de uma aprovação, digamos, pouco satisfatória tendo em vista o seu desempenho e fama internacionais.

Rabuffetti começa falando de algo que de primeira conquistou o público internacional e foi motivo de várias entrevistas e artigos: a simplicidade do estilo de vida de Mujica. O famoso fusca, a casa modesta, o estilo despojado. Um agricultor que alcançou o cargo máximo no seu país. Um presidente "pobre" (sobre esse último, Mujica sempre procurou afastar essa alcunha, como mostra a citação no final do texto).  A sua filosofia de vida que condena o consumismo sempre foi assunto recorrente nas entrevistas e discursos.

Entre um capítulo e outro, o autor conta "causos" do presidente uruguaio, como o incidente da mordida do jogador Suárez, na copa de 2014, que o deixou indignado. Pode-se encontrar também trechos de entrevista e discursos de Mujica.

O autor dedica uma parte do livro a vida de guerrilheiro de Mujica enquanto membro do Movimento de Libertação Nacional-Tupamaros. Uma oportunidade de conhecer um pouco mais sobre a história do Uruguai e da América Latina. O livro expõe ainda alguns outros momentos da vida de Mujica, como quando escapou da morte, conheceu Che Guevara, e quando foi preso e torturado durante a ditadura uruguaia. Revela também a sua relação com o projeto Plan Juntos - programa habitacional de casas populares - em que contribuía com doações do próprio bolso. Não fica de fora o importante papel desempenhado por Mujica no fim do embargo a Cuba, nem o fracasso do seu governo na área de educação pública.

Mujica é um grande homem, sua história de vida confirma o seu compromisso social e humanitário, evidenciado principalmente nos atos de solidariedade em receber os presos de Guantánamo e os refugiadas sírios. Suas ações enquanto governante podem não ser unanimidade agora no seu país, mas acredito que uma boa gestão busca resultados a longo prazo. O reconhecimento virá e a herança do seu governo não ficará apenas para o Uruguai.
"Pobres são os que me descrevem. Minha definição é a de Sêneca: pobres são os que necessitam de muito; se precisa de muita coisa, é insaciável. Eu sou sóbrio, não pobre. Sóbrio. Com a bagagem leve. Viver com pouco, com o imprescindível. E não estar muito amarrado a questões materiais. Por que? para ter mais tempo. Mais tempo livre [...] para poder fazer as coisas de que eu gosto. A liberdade é ter tempo para viver. Então, há uma filosofia de vida na sobriedade que eu pratico. Mas não sou pobre."

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Lady Susan - Jane Austen

Além das seis novelas famosas, Jane Austen também escreveu alguns textos, uma peça e algumas histórias curtas, sendo esta, Lady Susan, uma de suas histórias curtas e a única que foi finalizada pela autora. É um romance epistolar, a história é narrada através de cartas trocadas entre os personagens.

Lady Susan, a heroína e vilã da história, é uma recém viúva que mal enterrou o marido e já está a caça de um novo. Usa a sua beleza e carisma para arrebatar os corações indefesos de cavalheiros de posses, e com alguma posição na sociedade, que cruzam o seu caminho. Apesar da idade avançada - nessa época, 35 anos era o mesmo que velhice - Lady Susan faz sucesso com o sexo oposto e, ao mesmo tempo, rompe com a figura ideal feminina da época. A meu ver, mora aí o seu caráter heroico, pois mesmo sendo um rompimento mascarado, ele é feito de forma consciente. E no fim ela triunfa (alerta de spoiler atrasado), indiferente às opiniões alheias e também impune de todos os males causados.

Mas, como dito antes, Lady Susan também é a vilã da história. E seu comportamento se torna absolutamente condenável quando entra em cena a sua filha, Frederica. Aí a já fingida, mentirosa e desleal Lady Susan se mostra uma mãe perversa, odiosa. Um monstro indefensável.

Como é marca da autora, a história possui alguma crítica social, principalmente direcionada aqui ao tipo de educação imposta à mulher naquela época e ao comportamento feminino esperado e cobrado pela sociedade. Os personagens não agradam muito, e a protagonista reina absoluta despertando ódio, principalmente, e admiração. Como o livro é curto, a leitura é rápida. É daqueles livros que se começa a ler e só se larga depois que acaba.

"Não consigo me decidir em relação a nada tão sério quanto um matrimônio, sobretudo porque no presente momento não estou precisando de dinheiro, e talvez, antes da morte do velho cavalheiro, o enlace me trouxesse muito poucas vantagens."

quinta-feira, 16 de julho de 2015

O horror em Red Hook e outras histórias - H.P. Lovecraft

Howard Phillips Lovecraft foi um escritor americano, célebre por suas histórias de terror. Este livro foi o meu primeiro contato com Lovecraft, e estou conquistada.

São três contos: O horror em Red Hook, Ele e A tumba. São histórias de horror e mistério, o primeiro conto é justamente uma investigação policial. Acompanhamos o detetive Malone na investigação de um senhor de comportamento bastante estranho, suspeito de possuir laços com bandidos, grupos estrangeiros e sociedades secretas. O caso se passa no bairro de Red Hook, NY e lança o leitor em questões inesperadas, inexplicáveis e aterrorizantes. No segundo conto, seguimos um rapaz que encontra um estranho no meio da noite e é levado para um lugar secreto, onde coisas esquisitas e horripilantes acontecem. No terceiro conto, o melhor na minha opinião, conhecemos o relato de um jovem rapaz sobre o seu envolvimento macabro com a história de uma família antiga e a sua tumba sinistra.

Todas as historia são instigantes e se mantem interessantes até o fim. O texto do autor é excelente, dá medo e, ao mesmo tempo, não dá para parar de ler. As histórias sempre caminham para o inesperado, deixando a imaginação do leitor vaguear. Os contos iniciam de forma misteriosa , antecipando de alguma forma o final. Gosto de narrativas assim. O inicio de cada conto é fascinante, e já prendem o leitor desde a primeira linha.

Gostei tanto que reli cada conto logo depois de terminada a leitura.

Li no app do Kobo para tablet. A cada leitura, a experiência com e-book tem se tornado mais natural. É realmente uma questão de hábito.

"Ao narrar as circunstâncias que levaram ao meu confinamento dentro deste asilo para loucos, tenho consciência de que minha situação atual vai criar uma dúvida natural sobre a autenticidade desta narrativa. Trata-se de um fato lamentável que a maior parte da humanidade é demasiadamente limitada na sua visão mental para ponderar com paciencia e inteligencia aqueles fenômenos isolados vistos e sentidos apenas por uns poucos psicologicamente sensíveis e que se encontram fora da sua experiência comum. A tumba"

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Norte e sul - Elizabeth Gaskell

Taí um livro que não me agradou muito. O texto da autora é inconstante, e na maior parte do tempo achei enfadonho. Os diálogos são longos e entediantes, principalmente nas discussões religiosas. Os personagens são pouco atraentes, inclusive a heroína, que achei antipática. Até pensei em encerrar a leitura antes do fim, mas acontece que o livro tem seus méritos.

E o primeiro deles é Mr. Thornton, o maravilhoso mocinho desta história. Industrial rico que obteve sucesso através de muito trabalho. O que era considerado indigno pela sociedade aristocrática desse período. Mr. Thornton representa a dureza do povo trabalhador do norte da Inglaterra. Homem educado, equilibrado e decente. Um autêntico "lorde" inglês do século 19 (paixonite imediata).

Os acontecimentos desse livro se passam durante a primeira revolução industrial, na Inglaterra do seculo 19. A protagonista, Margaret Hale, encontra-se numa situação inusitada, pois é obrigada abandonar a vida tranquila do campo (sul) e se mudar para Milton (norte), cidade vivendo o auge do desenvolvimento industrial. O contexto histórico e social é outro mérito deste livro. A autora, que viveu nesse período, consegue inserir o leitor bem no meio dos confrontos sociais dessa época. Greves, preconceito de classes, conflito das sociedades aristocrática, industrial e operária. Este livro se torna um romance histórico bem rico, quando trata dessas questões. 

O choque de realidade sofrido pela protagonista também se destaca como ponto positivo. O amadurecimento, a mudança de postura e de valores de Margaret Hale dão um tom moderno (e até um pouco feminista) para uma heroína do seculo 19.

As semelhanças guardadas com Jane Austen são mínimas, nem o contexto histórico-social é o mesmo. Jane Austen faz duras críticas à sociedade aristocrática rural inglesa do século 18/19, enquanto que Elizabeth Gaskell reconstrói a revolução industrial, a luta de classes e as mudanças sociais ocorridas na sociedade inglesa, no século 19. Além de Austen ser de um período anterior a Gaskell, a primeira foca no romance dos personagens, deixando a critica social de pano de fundo. Enquanto que a segunda faz justamente o oposto.

Torno a dizer que não gostei do estilo da autora. Mas, no geral, a balança pesou mais pro lado positivo, já que adoro um romance histórico.

"No rosto do senhor Thornton, em troca, as sobrancelhas retas estavam perto dos olhos claros, sérios e afundados que, sem ser desagradavelmente ardilosos, pareciam o bastante penetrantes para chegar ao coração e ao núcleo mesmo de quem olhasse. Tinha poucas rugas, mas firmes, como esculpidas em mármore, concentradas nas comissuras dos lábios, que apertava levemente sobre uma boca tão impecável e bela que produzia o efeito de um súbito raio de sol quando o estranho sorriso luminoso aparecia um instante, cintilava em seus olhos e transformava totalmente a expressão resolvida e severa de um homem disposto a fazer o que fosse sem vacilar..."

domingo, 8 de março de 2015

Sejamos todos feministas - Chimamanda Ngozi Adichie

Chimamanda Ngozi Adichie é uma escritora nigeriana e ativista pelos direitos de igualdade de gênero. Este e-book é originalmente um de seus discursos, proferido em 2012 durante uma conferência. O assunto primordial do livro não é o feminismo, mas o que significa ser mulher nos dias de hoje. Consequentemente, desemboca no feminismo, por ser um desejo de transformação necessário nessa nossa sociedade. 

O livro é incrivelmente revelador, a ponto de me fazer concordar que as mulheres não são as únicas vítimas dessa desigualdade de gêneros. Os homens também são escravos de estereótipos de masculinidade. O feminismo não é uma luta apenas de mulheres para mulheres, mas de todos aqueles que buscam viver num mundo mais justo, civilizado, culturalmente e socialmente desenvolvido.

Em certo momento, a autora traz à tona um pensamento que nunca tinha me ocorrido antes. Ela questiona o que é normalidade no nosso cotidiano. Determinada situação não deve ser considerada normal só por que se repete todos os dias. A partir desse pensamento, passei a analisar cenas do meu dia a dia, e realmente, tem coisas erradas que nos deparamos que, pela repetição, nos acostumamos, e passam a ser encaradas como fatos normais. Tentarei não cair nesta armadilha daqui para frente. Devemos sempre questionar a nossa realidade e as nossas ações.

Sejamos todos feministas é um livro inspirador e, infelizmente, um livro curto. Fiquei com gostinho de quero mais. Ainda bem que a autora tem outros livros publicados. Recomendo para quem quer começar a pensar diferente.

"O problema da questão de gênero é que ela prescreve como devemos ser em vez de reconhecer como somos. Seríamos bem mais felizes, mais livres para sermos quem realmente somos, se não tivéssemos o peso das expectativas do gênero."

quinta-feira, 24 de julho de 2014

1Q84 v.1 - Haruki Murakami

O Q é de Question mark, o título poderia ser também 1?84, acho até que ficaria mais legal. Esse título enigmático faz referência ao clássico de George Orwell e também ao assunto principal do livro, universos paralelos. A história se passa no Japão, em 1984, e tem dois protagonistas, Tengo e Aoname. O primeiro é professor de matemática e escritor nas horas vagas. A segunda é instrutora de artes marciais e assassina, intercala essas duas atividades com orgias e sexo casual. O enredo segue um tom de mistério e fantasia, realidades alternativas, criaturas e acontecimentos estranhos, e mortes.  

Apesar de ter todos os ingredientes que agradam o meu paladar, achei a narrativa excessivamente lenta. Li que é característica do autor, mas achei algumas passagens enfadonhas. Tudo demora a acontecer, e quando acontece, é só um ensaio, um esboço ou anúncio de algo maior que vai acontecer depois. Os personagens principais são interessantes e achei engraçado a repetição de suas rotinas e pensamentos.

Não foi minha primeira experiência com a literatura japonesa, mas minha primeira vez com e-book. O ato de ler é o mesmo com um livro tradicional, não senti diferença. Mas fiquei um pouco confusa e meio perdida sem saber se estava no início, meio ou fim do livro, sensação estranha. Atrapalhou um pouco também a limitação de posições para ler no tablet. Com um livro tradicional a leitura pode ser feita até de cabeça para baixo. Mas são pormenores que incomodaram apenas no início da leitura, sendo esquecidos logo. Ler em e-book funcionou muito bem para mim, recomendo a experiência.

Voltando ao livro, não foi bem o que eu esperava, mas o texto é simples, corrido e a história é interessante. Fiquei curiosa para saber o desfecho, mas não é um sentimento urgente.  

"Tome cuidado quando estiver andando pela floresta. Nela existem coisas muito importantes, e é nela que vive o Povo Pequenino. Para que esse Povo Pequenino não te machuque, é preciso encontrar algo que eles não possuem."