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terça-feira, 28 de março de 2017

Desventuras em Série v.3 e v.4, O lago das sanguessugas e Serraria baixo-astral- Lemony Snicket

As desventuras dos irmãos Baudelaire continuam.

Nesta segunda leitura, tenho observado que o Conde Olaf está muito mais maldoso e violento. Continua incrivelmente engraçado, mas muito mais vil, e cínico! O disfarce de Shirley ficou muito engraçado e estou ansiosa pra ver como deixaram Neil Patrick Harris na adaptação pra Netflix. No volume 4, senti falta do Conde Olaf, pois ele só apareceu na metade pro final e ainda assim, poucas vezes. O capataz Flacutono foi quem roubou a cena, e por vezes me confundiu achando que seria Olaf. Faz muitos anos que li os livros e não tenho muitas lembranças dos disfarces do Conde Olaf, Shirley surpreendeu. Embora nesses primeiros volumes o autor tenha seguido uma fórmula, os plano mirabolantes de Olaf para conseguir a fortuna dos Baudelaire são sempre originais.   

As mortes também ficaram mais violentas, comparando com os primeiros volumes. Ser devorado por sanguessugas e esmagado numa máquina de prensar madeira não são mortes comuns em livros para criancinhas. 

A personagem Tia Josephine é hilária, as correções gramaticais, os seus medos e o diálogo final dela com Olaf me arrancaram boas risadas. Da mesma forma, o duelo de Sunny (dente x espada) no livro 4 foi surreal e muito engraçado. E Phil, o otimista, continua na minha lista de melhores personagens. Acho divertido como ele só enxerga o lado bom de tudo. Um personagem que tem crescido bastante é o Sr. Poe. Antes achava ele chato, mas nessa releitura ele tem se mostrado bem engraçado. Eu acho interessante que os adultos são geralmente irresponsáveis e imuteis, mas mesmo assim os órfaos conseguem enxergar qualidades e nutrir algum grau de afeição por eles, pelo menos em relação aos tutores Tio Monty e Tia Josephine.

A história dos órfãos Baudelaire fica melhor a cada livro. Não sei se é uma série que agradaria a todos, por que tem um humor bem característico, muita ironia e humor negro. Além disso, os personagens adultos são bem caricaturais (atrapalhados, carentes, bobões). E as situações são irreais, surreais, assim como alguns diálogos. Isso tudo me agrada imensamente, mas algumas pessoas podem considerar como defeitos. 

Lamento muito a tradução brasileira não ter seguido a brincadeira dos títulos originais. As iniciais dos títulos são sempre repetidas nos volumes (The Wide Window e The Miserable Mill, por exemplo). Embora não tenha um significado mais profundo, é divertido. Bom, estou bem ansiosa para o volume 5 e 6, pois são os meu favoritos.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Desventuras em Série v.2: A Sala dos Répteis - Lemony Snicket

O que já era muito bom, melhorou ainda mais neste segundo volume da saga dos órfãos Baudelaire.

Tudo parece caminhar para um final feliz quando os órfãos são levados para o novo tutor, Tio Monty. Um pesquisador de cobras, que mora numa mansão e tem uma sala especial onde guarda todos os espécimes de ofídios que consegue capturar. O que parece assustador é na verdade muito divertido e as crianças finalmente conseguem se sentir felizes. Mas, por pouco tempo. Com a chegada do novo assistente de Tio Monty, a sorte dos Baudelaire muda radicalmente. Mais assustador do que nunca, o Conde Olaf mostra o que é capaz de fazer para conseguir a fortuna dos órfãos.

A principal mudança que senti em relação a primeira leitura e essa releitura é o sentimento despertado pelo Conde Olaf. Antes, achava-o engraçado e bizarro, agora fico um pouco assustada (e também um tanto chocada) com suas falas e ações intimidantes. Principalmente quando ele ameaça a bebê Sunny. É um vilão horrível, mas, ainda continua muito engraçado.

As intervenções do narrador Lemony, neste livro, estão bem melhores. Ele brinca com as palavras e significados e também faz graça em momentos de suspense. Suspeito que só melhora daqui pra frente.

Esse livro é bem mais engraçado que o anterior.

Abaixo, um trecho melancólico:
"É uma coisa curiosa, a morte de um ente querido. Todos sabemos que nosso tempo neste mundo é limitado, e que finalmente todos acabaremos debaixo de algum lençol, para não acordar nunca mais. No entanto, é sempre uma surpresa quando isso acontece a alguém que conhecemos. É como subir a escada para o seu quarto no escuro, e achar que há mais de um degrau do que realmente há. O pé resvala no ar e segue-se um aflitivo momento em que, colhida às cegas pela surpresa, a pessoa tenta adaptar-se à escuridão."

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Desventuras em Série v.1: Mau Começo - Lemony Snicket

Para acompanhar o lançamento da nova série da Netflix, decidi reler esses livrinhos maravilhosos que me fizeram a alegria alguns anos atrás. Já havia escrito um textinho sobre eles aqui e marquei-os na categoria de favoritos, junto com Italo Calvino e Saramago.

Este primeiro volume conta a história dos órfãos Baudelaire na sua primeira e mais terrível morada: a mansão do grande vilão Conde Olaf. A história é bem ameaçadora, do começo ao fim, e em alguns momentos, principalmente no final, se torna um ótimo suspense. Lembro que achava o conde muito engraçado, mas nessa releitura achei o conde amedrontador. Mesmo nas partes nonsense, como no jantar para a trupe de teatro. E falando neles! que grupo mais inacreditável. Adoro todos esses personagens da trupe do Conde Olaf.     

O livrinho é muito bom!! digo livrinho por que é pequeno e a leitura flui muito facilmente. Mas na verdade, é um grande livro com uma história muito envolvente. Confesso que achei o começo meio lacônico, resumido, mas basta a chegada do grande vilão para tornar a história atraente. Na verdade, esse início pode ser interpretado também como um começo misterioso, já que iremos conhecer a história da morte dos pais por partes, ao longo dos 13 volumes. 

A minha ideia inicial era reler no idioma original, já que li toda a série em português, e apenas o último em inglês. Mas não me organizei direito e acabei por reler em português mesmo. Tentarei com mais afinco conseguir os próximos livros em inglês. 

Deixo aqui uma passagem terrível:
 "Ainda que seja a última coisa que eu faça, hei de ficar com a sua fortuna", zumbiu a voz. "E quando tiver conseguido isso, vou matá-los, os três, com as minhas próprias mãos."

segunda-feira, 20 de junho de 2016

A Torre Negra: O Pistoleiro - Stephen King

Poxa! não gostei. Estava com uma expectativa enorme pra essa história, principalmente depois de saber da produção cinematográfica que está em andamento. Mas, não fui conquistada nem pela história, nem pelos personagens, nem pelo autor.

O início é bem promissor, o pistoleiro do título está à caça de um bruxo, a quem chama de homem de preto. O bruxo foge para um lugar chamado Torre Negra, e o pistoleiro segue atrás.

 A história fica muito boa em poucas partes. O resto é muita enrolação. Nada acontece, tudo é lento. Como já mencionado, os personagens não tem carisma, não dá pra torcer pra ninguém, todos são chatos. Tem uma mistura descabida de gêneros literários (aventura, fantasia, terror...), é tanta coisa que acaba não sendo nada. A história é confusa, arrastada. Percebi um certo tom filosófico, mas falso, forçado. Confesso que faltou pouco para abandonar o livro.

As partes boas que eu destaco são apenas duas: o encontro com o velho, logo no início, e o massacre na cidade de Tull. O resto é enrolação e enchimento de linguiça.

Meu primeiro encontro com Stephen King não foi nada agradável. Não pretendo ler nada dele por enquanto. E, por hora, nem sei se quero ver o filme.
"Uma rajada de granito soprou sobre a cabeça do homem de preto; uma segunda rajada, à esquerda de seu capuz; uma terceira, à direita. O pistoleiro errara por completo todas as três vezes."

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

O Rei de amarelo - Robert W. Chambers

Esse foi um livro que me deixou com muita expectativa, pois já tinha ouvido falar das histórias do rei de amarelo e estava curiosíssima para lê-las. Além disso, vi a excelente primeira temporada da série norte americana True Detective, que me deixou ainda mais animada para conhecer essa mitologia. Acho que a expectativa atrapalhou a leitura, pois o livro foi apenas mediano e a leitura se arrastou por muitas semanas. 

Porém, os quatro contos que rodeiam a mitologia do rei de amarelo são impressionantes. Se o livro fosse composto apenas dessas quatro histórias, seria um livro inesquecível. 

Esses contos mostram as consequências sofridas pelos personagens que se atreveram a ler a famosa e diabólica peça teatral O Rei de amarelo, que deixa os seus leitores loucos. Esta peça é fictícia, e existe apenas no universo desses quatro contos. Aos leitores do livro de Chambers, é possível conhecer trechos curtos dessa peça aterrorizante, o que eu achei ser uma decisão muito prudente do autor  =D

Na minha edição, os quatro primeiros contos do livro são de terror e tem a peça o rei de amarelo como elemento central. E são sensacionais. Já os seis contos restantes são ruins e cansativos. Contam histórias de gêneros variados, que vão do surreal ao sentimentalismo. Foi um balaio de gato chato de ler. Principalmente para quem esperava por mais histórias de terror, na mesma qualidade das primeiras. Mesmo assim, posso destacar dois contos que não foram tão ruins assim: A Rua dos quatro ventos e A Demoiselle d’Ys. Ambos com uma faceta meio sobrenatural/fantástica.

Não posso esquecer de comentar a introdução escrita por Carlos Orsi e a edição do livro. A primeira, muito interessante e nos deixa prontos para a leitura. Já a segunda, não é lá essas coisas, pois comete o erro (grave, no meu conceito) de colocar as notas no fim do capítulo. O que torna tudo mais difícil e trabalhoso.  

Por fim, não classifico esse livro como ruim, tendo em vista o poder dos primeiros contos. Mas, não posso deixar de assinalar que os demais contos diminuem a qualidade da obra no geral.

Trago dois extratos, o primeiro da peça, e outro do livro:


"Não zombemos dos loucos, sua insanidade dura mais tempo que a nossa... Eis aí toda a diferença."
"Eu estava arrasado após três noites de sofrimento físico e pertubações mentais: a última havia sido a pior, e foram um corpo exausto e uma mente entorpecida, apesar de extremamente sensível, que levei à minha igreja favorita para curar. Pois eu tinha lido O Rei de Amarelo." 


quinta-feira, 16 de julho de 2015

O horror em Red Hook e outras histórias - H.P. Lovecraft

Howard Phillips Lovecraft foi um escritor americano, célebre por suas histórias de terror. Este livro foi o meu primeiro contato com Lovecraft, e estou conquistada.

São três contos: O horror em Red Hook, Ele e A tumba. São histórias de horror e mistério, o primeiro conto é justamente uma investigação policial. Acompanhamos o detetive Malone na investigação de um senhor de comportamento bastante estranho, suspeito de possuir laços com bandidos, grupos estrangeiros e sociedades secretas. O caso se passa no bairro de Red Hook, NY e lança o leitor em questões inesperadas, inexplicáveis e aterrorizantes. No segundo conto, seguimos um rapaz que encontra um estranho no meio da noite e é levado para um lugar secreto, onde coisas esquisitas e horripilantes acontecem. No terceiro conto, o melhor na minha opinião, conhecemos o relato de um jovem rapaz sobre o seu envolvimento macabro com a história de uma família antiga e a sua tumba sinistra.

Todas as historia são instigantes e se mantem interessantes até o fim. O texto do autor é excelente, dá medo e, ao mesmo tempo, não dá para parar de ler. As histórias sempre caminham para o inesperado, deixando a imaginação do leitor vaguear. Os contos iniciam de forma misteriosa , antecipando de alguma forma o final. Gosto de narrativas assim. O inicio de cada conto é fascinante, e já prendem o leitor desde a primeira linha.

Gostei tanto que reli cada conto logo depois de terminada a leitura.

Li no app do Kobo para tablet. A cada leitura, a experiência com e-book tem se tornado mais natural. É realmente uma questão de hábito.

"Ao narrar as circunstâncias que levaram ao meu confinamento dentro deste asilo para loucos, tenho consciência de que minha situação atual vai criar uma dúvida natural sobre a autenticidade desta narrativa. Trata-se de um fato lamentável que a maior parte da humanidade é demasiadamente limitada na sua visão mental para ponderar com paciencia e inteligencia aqueles fenômenos isolados vistos e sentidos apenas por uns poucos psicologicamente sensíveis e que se encontram fora da sua experiência comum. A tumba"

quinta-feira, 24 de julho de 2014

1Q84 v.1 - Haruki Murakami

O Q é de Question mark, o título poderia ser também 1?84, acho até que ficaria mais legal. Esse título enigmático faz referência ao clássico de George Orwell e também ao assunto principal do livro, universos paralelos. A história se passa no Japão, em 1984, e tem dois protagonistas, Tengo e Aoname. O primeiro é professor de matemática e escritor nas horas vagas. A segunda é instrutora de artes marciais e assassina, intercala essas duas atividades com orgias e sexo casual. O enredo segue um tom de mistério e fantasia, realidades alternativas, criaturas e acontecimentos estranhos, e mortes.  

Apesar de ter todos os ingredientes que agradam o meu paladar, achei a narrativa excessivamente lenta. Li que é característica do autor, mas achei algumas passagens enfadonhas. Tudo demora a acontecer, e quando acontece, é só um ensaio, um esboço ou anúncio de algo maior que vai acontecer depois. Os personagens principais são interessantes e achei engraçado a repetição de suas rotinas e pensamentos.

Não foi minha primeira experiência com a literatura japonesa, mas minha primeira vez com e-book. O ato de ler é o mesmo com um livro tradicional, não senti diferença. Mas fiquei um pouco confusa e meio perdida sem saber se estava no início, meio ou fim do livro, sensação estranha. Atrapalhou um pouco também a limitação de posições para ler no tablet. Com um livro tradicional a leitura pode ser feita até de cabeça para baixo. Mas são pormenores que incomodaram apenas no início da leitura, sendo esquecidos logo. Ler em e-book funcionou muito bem para mim, recomendo a experiência.

Voltando ao livro, não foi bem o que eu esperava, mas o texto é simples, corrido e a história é interessante. Fiquei curiosa para saber o desfecho, mas não é um sentimento urgente.  

"Tome cuidado quando estiver andando pela floresta. Nela existem coisas muito importantes, e é nela que vive o Povo Pequenino. Para que esse Povo Pequenino não te machuque, é preciso encontrar algo que eles não possuem."