Mostrando postagens com marcador 2017. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 2017. Mostrar todas as postagens

domingo, 24 de dezembro de 2017

Vagabond #12 #13 - Takehiko Inoue

A leitura desses dois volumes foram bem distintas, o volume 12 me agradou bastante, sendo um dos melhores que li até agora. Na verdade, achei esse volume impressionante. Paisagens lindas, montanhosas, florestas, tantos detalhes nas imagens que me senti teletransportada para aquele mundo e época. Achei perfeita a parte da escalada de Takezo no monte! desenho lindo! Outro aspecto que eu gostei foi de a história ter fugido um pouco de Takezo para mostrar os outros personagens. O que nos leva as outras cenas estonteantes, a do afogamento e a da morte inesperada. Esta último, chocante e tão cheia de significados. Gostava do personagem que partiu e senti bastante a morte dele, mais ainda pelo jeito que aconteceu. A respeito de Matahachi, não sei se sinto pena ou se acho graça. Depois de Takezo, ele é o personagem mais complexo da história. sem dúvida, um excelente personagem, cheio de defeitos, mimado, estúpido, mas também muito engraçado. Sente uma vergonha imensa do que se tornou, ao mesmo tempo não faz nada para mudar. Muito interessante.

Digo que o volume 13 não me agradou muito, mas só por que não gostei dos novos personagens em que o volume se foca: Kohei e Rindo são chatos e achei enfadonho ler sobe o passado de Kohei. A apresentação do personagem é muito boa e causa surpresa, assim como a luta (como sempre) é surpreendente. Gostei da história do Fantasma de Shishido Baiken, mas não me agradou a história do Deus da Morte! Apesar do início e meio chatinhos, o final desse volume foi maravilhoso. Uma das cenas mais engraçadas até então: o encontro de Matahachi e Takezo, se é que podemos chamar aquilo de encontro.

Outro fato chocante para mim foi descobrir que já se passaram 4 anos de história. Confesso que não reparei nisso, nem pensei muito a respeito. Mas agora me parece óbvio que o tempo tenha corrido dessa maneira, já que Takezo percorre o pais a pé, de cidade em cidade.

Dessa vez peguei apenas dois volumes de Vagabond, é tão tão bom que tenho receio de pegar todos e ler de uma vez, e daí acaba num instante. Consumir esse mangá aos pouquinhos tem sido uma experiência proveitosa e duradoura.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Lumberjanes: cuidado com o sagrado gatinho - Stevenson, Ellis, Watters e Allen

Recentemente li Nimona, HQ escrita por uma das autoras de Lumberjanes, e como havia gostado bastante resolvi me aventurar nessa outra história. Sendo uma história premiada e muito festejada, não achei que fosse me decepcionar.

Mas nunca pensei que fosse sofre para ler uma HQ, que são historias mais curtas e ilustradas, mas foi o que aconteceu. Achei Lumberjanes oca. Sem graça. Rasa. Não me identifiquei com as personagens, nem com as aventuras. Não impressionou em nada.

Dois comentários positivos: 1) o desenho. Muito bonito, colorido,
daqueles de impressionar e ficar olhando os detalhes do quadrinho. 2) o empoderamento feminino. Garotas independentes, aventureiras, destemidas e unidas.

Sei que é uma série e que talvez eu devesse dar nova chance lendo o segundo volume, mas não consigo.

Não pretendo continuar.

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Ghost in the Shell - Masamune Shirow

A história se passa no futuro, no ano de 2029, e acompanha as missões da seção 9, um grupo antiterrorista, especializado em crimes cibernerticos e composto por ciborgues e humanos. A protagonista é a Major Motoko, uma ciborgue de personalidade despachada e com senso de humor apurado.

Não foi uma leitura que me agradou, apesar de alguns aspectos positivos que destaco mais adiante. Porém, reconheço que o assunto não me atrai, e desconheço muito do que se fala na história sobre robótica, inteligencia artificial e armamentos. Isso tudo deixou a história pra mim mais confusa e mais intrincada do que já é naturalmente. Também me incomodou bastante a maneira objetificada e fetichista como a protagonista é mostrada. Não só a protagonista, mas todas as personagens femininas dessa historia são exibidas nuas, em poses sensuais, erotizadas, em ângulos claramente direcionados para destacar certas partes do corpo feminino.

Além disso, não existe desenvolvimento de personagens, todos eles são apresentados de forma superficial. Não sei se foi intencional, já que a maioria é robô. Mas fica dificil se apegar a personagens sem substância. A leitura é cansativa, e só apresenta algum vigor na terceira e última parte, quando aparece o vilão Mestre dos fantoches.

Para os pontos positivos, destaco as notas de rodapé. O autor usa bastante esse recurso ao longo do mangá para conversar com o leitor sobre a própria obra, sobre ciência, filosofia e assuntos aleatórios. Pra mim, ficou sendo a melhor parte do livro, pois instiga algumas reflexões interessantes (como quando pergunta: Quais são os três maiores acontecimentos da humanidade? Eu diria: a roda, o fogo e a eletricidade.)

Outro aspecto interessante é a sociedade futurista em que a história é ambientada. Composta por humanos e robôs, tecnologias avançadas, etc. Também achei interessante existir uma certa hierarquia entre os robôs, sendo alguns considerados de “baixo nível”, conforme a tecnologia utilizada ou ano de lançamento. Infelizmente, nenhum desses aspectos é apropriadamente desenvolvido pelo autor.

Bom, o livro tem uma história confusa, que promete muito, mas entrega pouco. A leitura é arrastada, apesar de ser um  mangá (leitura de imagem, mais curta e mais rápida). A impressão que fica é que poderia ter sido uma grande história, mas que se perdeu em algum lugar entre roteiro e o desenvolvimento de personagens. 

Assassinato no Expresso do Oriente - Agatha Christie

O grande e nada modesto detetive Hercule Poirot tem que investigar um assassinato ocorrido no famoso Expresso do Oriente, durante uma nevasca que impede o deslocamento do trem. O vaidoso detetive encontra algumas dificuldades, desafios, muitas pistas e muitos suspeitos, nesse seu mais famoso caso. Contudo, ninguém é páreo para as pequenas ideias do detetive, o que ele sempre faz questão de deixar bem claro.  

Na releitura desse clássico de Agatha Christie, procurei observar o que antes me passou batido: o percurso do trem e o tempo da viagem. Fiquei surpresa ao descobrir que o livro não se passa completamente no Expresso do Oriente, mas começa na Síria, num trajeto que segue de Alepo até Constantinopla (atual Istambul). É nesse trajeto esquecido que o meu detetive favorito tem acesso a uma conversa alheia que é importante no desenrolar dessa história.

O percurso do Expresso do Oriente mostrado nesse livro se origina então em Constatinopla, e segue com várias paradas até Londres, destino final de Hercule Poirot e de alguns personagens. Percorre realmente toda a europa, e tem tempo de viagem estimado em 3 dias. Mas nos trilhos desse trem, surge uma nevasca inesperada acompanhada de um assassinato, e nada mais sai como previsto.

É engraçado reler um livro policial, nunca tinha passado por essas experiência antes. Sabendo do desfecho, as conversas e o comportamento dos personagens ganham novo significado. E mesmo sabendo o final, surpresas ainda são possíveis, graças ao talento da Dama do Crime.

Um aspecto interessante que tinha esquecido sobre a autora, ela costuma zombar do leitor, através da voz do protagonista, lembrando que o leitor é incapaz de solucionar o mistério, e que não possui a lucidez e a imaginação necessárias para desvendar o crime junto com o detetive. Uma brincadeira da autora, claro! Mas também não deixa de ser uma provocação para que usemos a nossa pequena massa cinzenta.

Uma excelente leitura, rápida e prazerosa.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Vagabond #9 #10 #11 - Takehiko Inoue

A leitura de Vagabond tem sido maravilhosa e surpreendente. É um mangá de samurai, de ação, mas ao mesmo tempo é tocante, delicado e poético, sem ser piegas ou dramático. Os personagens coadjuvantes são carismáticos, cheios de camadas, crescem junto com o protagonista e alguns até disputam a preferência com Musashi. 

Nos arcos desses volumes, Musashi enfrenta os samurais da Casa Yagyu, justamente a família que acolheu Otsu, lá no início da saga. O chefe da casa é um velhinho muito fofo, conhecido pelo nome de O inigualável. Achei esse arco o mais divertido até agora, pois os planos de Musashi para conseguir desafiar o castelo são originais e bem criativos. Musashi é um samurai sem técnica definida, que se garante na luta apenas com o seu instinto e grande força, mas ele consegue compensar essa falta de técnica com ousadia, inteligencia e criatividade. 

Sobre os outros personagens, foi uma delícia rever Takuan. Posso dizer o mesmo sobre Matahachi, tem sido muito engraçado ler as histórias dele, da mãe e do tio. Otsu está crescendo de forma formidável, e está se tornando uma das personagens mais interessantes do mangá, principalmente depois da decisão de partir da Casa Yagyu. Jotaro, no entanto, é o ponto fraco, esse moleque ainda não desceu.

Pra quem gosta de lutas, confrontos, artes marciais, Vagabond é um deleite. Nenhum embate se repete, sempre tem alguma novidade ou uma situação surpreendente. É uma história que não dá pra prever o que vai acontecer. Também é uma história bonita, com metáforas lindas e dramas envolventes. Ah! e que desenho maravilhoso!

sábado, 1 de julho de 2017

Maigret e os colegas americanos - Georges Simenon

Como esperado, Simenon apresenta outra leva de ótimos personagens em meio a um intrigante caso de morte. Mas dessa vez, Maigret é um mero expectador, que assim como nós, leitores, acompanha a investigação com fascínio e curiosidade, mas de mãos atadas. Pois não estamos mais na França, mas nos EUA.

Maigret está acompanhando o modus operandi dos colegas americanos em diversas investigações criminais, uma espécie de intercâmbio profissional, uma troca de experiências e conhecimentos. É no estado do Arizona que Maigret encontra um caso intrigante: uma moça morta e 5 suspeitos clamando inocência. Rapidamente o interesse de Maigret na investigação nos contagia também, e a leitura segue rápida e fluida.

Elejo este o melhor livro de Maigret lido até o momento. Engraçado que outro livro de Simenon que gosto bastante é justamente outra história em que ele viaja (Maigret sai em viagem), acho que é reflexo do meu interesse por viagens e culturas diferentes. 

Neste livro, Maigret está longe de casa, sozinho com os seus pensamentos. Reflete principalmente sobre as diferenças culturais entre França e EUA. Sociedades diferentes, costumes diferentes, métodos de investigação diferentes. Maigret observa tudo, vestimentas, arranha-céus, os bares, os clubes, o uso exagerado do carro, e a dependência por álcool. O ápice desses pensamentos está nas páginas 72 e 73, onde Maigret sugere existir uma miséria escondida nessa sociedade, que parece ter tudo. 

Leitura excelente! O final pode parecer um tanto frustrante, mas o que importa não é o veredito, mas os esclarecimentos dos fatos. Nessa história, além de leitores somos jurados também. Cabe a cada leitor dar o seu veredito.

segunda-feira, 22 de maio de 2017

Nimona - Noelle Stevenson

Nimona é uma história surpreendente, a começar por se tentar classificar o seu gênero literário: uma HQ de fantasia medieval com toques de ficção científica e romance de cavalaria.

A história começa quando a garota Nimona encontra o maior vilão de todos os tempos, Lorde Ballister Coração Negro, para ser sua comparsa. Mas mal começam as vilanias dos dois anti-heróis, descobrimos que Nimona não é bem uma garota qualquer e Coração Negro não é de todo vilão. Aos poucos descobrimos as várias camadas dos personagens, enquanto a amizade deles se fortalece.

Em meio a muitas reviravoltas, a autora brinca com clichês e surpreende com uma trama ousada e original. Além disso, sacode o leitor com escolhas pouco convencionais para os seus personagens, como por exemplo a protagonista fora dos padrões de beleza: gordinha, de cabelo moderno e colorido. Assim como, Coração Negro, um vilão ético, justo e que não gosta de machucar as pessoas.

Deixando de lado o maniqueísmo comum a essas histórias de mocinhos e vilões, a autora entrega uma protagonista doce e sensível, que decide finalmente assumir o papel de vilã, que lhe foi imposto pela sociedade. Em contraponto, Coração Negro interpreta o vilão, sem incorporar suas características. Temos aí uma dupla interessante.

Nimona é uma história muito fofa sobre amizade e confiança, em que nem tudo é o que parece ser. Recomendo a leitura altamente.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Coração de tinta - Cornelia Funke

Os protagonistas são Mortimer e sua filha Meggie. Ele é um encadernador e restaurador de livros raros, e tem um estilo de vida discreto, recluso. Meggie é uma pré-adolescente que adora ler, e herdou do pai a paixão por livros. Já a mãe de Meggie desapareceu misteriosamente muitos anos atrás e esse assunto é um tabu na relação dos dois.

Coração de tinta é uma história original e interessante, mas pouco equilibrada. Tem um início enrolado, arrastado, que de tanto tentar esconder a verdadeira trama, acaba por tornar a história desinteressante. A aparição de personagens mais divertidos como Dedo empoeirado e a Tia Elinor, dá um fôlego temporário a historia, mas por pouco tempo. Nem a aparição do vilão consegue empolgar, além de ter um nome ruim, Capricórnio, é um personagem clichê, tedioso e, pior, não mete medo nenhum.

Mas a história toma um rumo inesperado com a aparição do escritor Fenoglio, um personagem chave nessa historia. Aí sim, o livro fica bom.

Um aspecto positivo, é que os capítulos são iniciados com passagens de outros livros, não é inédito, mas não deixa de ser legal. Esses trechos literários e o fato de os protagonistas serem leitores deixa história mais interessante. É atraente também a particular habilidade do protagonista Mortimer, me peguei divagando o que faria se tivesse a mesma capacidade.

Por fim, o livro é uma boa ideia, mas peca pela instabilidade. É uma série em 3 volumes, mas que não me deixou com vontade de continuar.

terça-feira, 28 de março de 2017

Desventuras em Série v.3 e v.4, O lago das sanguessugas e Serraria baixo-astral- Lemony Snicket

As desventuras dos irmãos Baudelaire continuam.

Nesta segunda leitura, tenho observado que o Conde Olaf está muito mais maldoso e violento. Continua incrivelmente engraçado, mas muito mais vil, e cínico! O disfarce de Shirley ficou muito engraçado e estou ansiosa pra ver como deixaram Neil Patrick Harris na adaptação pra Netflix. No volume 4, senti falta do Conde Olaf, pois ele só apareceu na metade pro final e ainda assim, poucas vezes. O capataz Flacutono foi quem roubou a cena, e por vezes me confundiu achando que seria Olaf. Faz muitos anos que li os livros e não tenho muitas lembranças dos disfarces do Conde Olaf, Shirley surpreendeu. Embora nesses primeiros volumes o autor tenha seguido uma fórmula, os plano mirabolantes de Olaf para conseguir a fortuna dos Baudelaire são sempre originais.   

As mortes também ficaram mais violentas, comparando com os primeiros volumes. Ser devorado por sanguessugas e esmagado numa máquina de prensar madeira não são mortes comuns em livros para criancinhas. 

A personagem Tia Josephine é hilária, as correções gramaticais, os seus medos e o diálogo final dela com Olaf me arrancaram boas risadas. Da mesma forma, o duelo de Sunny (dente x espada) no livro 4 foi surreal e muito engraçado. E Phil, o otimista, continua na minha lista de melhores personagens. Acho divertido como ele só enxerga o lado bom de tudo. Um personagem que tem crescido bastante é o Sr. Poe. Antes achava ele chato, mas nessa releitura ele tem se mostrado bem engraçado. Eu acho interessante que os adultos são geralmente irresponsáveis e imuteis, mas mesmo assim os órfaos conseguem enxergar qualidades e nutrir algum grau de afeição por eles, pelo menos em relação aos tutores Tio Monty e Tia Josephine.

A história dos órfãos Baudelaire fica melhor a cada livro. Não sei se é uma série que agradaria a todos, por que tem um humor bem característico, muita ironia e humor negro. Além disso, os personagens adultos são bem caricaturais (atrapalhados, carentes, bobões). E as situações são irreais, surreais, assim como alguns diálogos. Isso tudo me agrada imensamente, mas algumas pessoas podem considerar como defeitos. 

Lamento muito a tradução brasileira não ter seguido a brincadeira dos títulos originais. As iniciais dos títulos são sempre repetidas nos volumes (The Wide Window e The Miserable Mill, por exemplo). Embora não tenha um significado mais profundo, é divertido. Bom, estou bem ansiosa para o volume 5 e 6, pois são os meu favoritos.

quarta-feira, 8 de março de 2017

O sol é para todos - Harper Lee

A história nos é contada pela personagem Scout, que já adulta (ou mais velha) relembra os fatos que acompanharam a época em que o pai dela defendeu um homem negro acusado de estuprar uma mulher branca. Isso lá nos anos de 1930, onde o racismo e a segregação americana estavam no auge. Atticus, o pai, sendo um advogado branco, sofre retaliação e acusações da comunidade branca e conservadora do local, que não aceita que ele defenda um homem negro. Scout narra o seu cotidiano, suas brincadeiras, seus primeiros dias na escola e também o tal caso em que seu pai é advogado, sendo justamente o clímax da historia, o julgamento.

O tema principal abordado nesse livro é o racismo, sem dúvida. Mas as partes mais lindas e inesquecíveis são aquelas que tratam da infância da personagem Scout, as brincadeiras, as férias escolares, os amigos de infância. O universo dos adultos também é mostrado através do olhar da personagem, que ganha novo significado com o ponto de vista doce, infantil e ingênuo dela.

O personagem mais interessante é o pai, Atticus. Um senhor já quase idoso, viúvo, muito bem quisto na comunidade, e que está determinado a fazer o que é certo, mesmo que não seja o esperado pelas pessoas com quem convive. Um personagem de várias camadas, que conquista pela coragem e lucidez, embora também cometa erros.

Não poderia deixar de falar da belíssima metáfora do título original: How to kill a monckinbird. Que faz referência a covardia que se comete matando passarinhos por esporte, associada a uma morte injusta que ocorre no livro. É tocante!  

É um livro muito sensível, um drama que arranca lágrimas, mas que foge do novelesco e da pieguice. É um livro encantador.

A parte final é belíssima, mostra o amadurecimento de Scout. É de uma sensibilidade gigante. Um dos momentos mais lindos que já li. É um livro formidável, que desperta vários sentimentos e sensações. Que pedi uma releitura assim que é acabado. É por isso que é um livro que mesmo tão jovem, já é um clássico.


"-Bem, muita gente pensa que elas é qu'tão certas e 'ocê é qu'tá enganado...
          -Elas tem todo o direito de pensar dessa forma, como também tem o direito a que as suas          
          opiniões sejam respeitadas - disse Atticus - mas antes de viver com outros, tenho de viver      
         comigo próprio. E a única coisa que se sobrepõe à regra da maioria é a nossa consciência." 

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Desventuras em Série v.2: A Sala dos Répteis - Lemony Snicket

O que já era muito bom, melhorou ainda mais neste segundo volume da saga dos órfãos Baudelaire.

Tudo parece caminhar para um final feliz quando os órfãos são levados para o novo tutor, Tio Monty. Um pesquisador de cobras, que mora numa mansão e tem uma sala especial onde guarda todos os espécimes de ofídios que consegue capturar. O que parece assustador é na verdade muito divertido e as crianças finalmente conseguem se sentir felizes. Mas, por pouco tempo. Com a chegada do novo assistente de Tio Monty, a sorte dos Baudelaire muda radicalmente. Mais assustador do que nunca, o Conde Olaf mostra o que é capaz de fazer para conseguir a fortuna dos órfãos.

A principal mudança que senti em relação a primeira leitura e essa releitura é o sentimento despertado pelo Conde Olaf. Antes, achava-o engraçado e bizarro, agora fico um pouco assustada (e também um tanto chocada) com suas falas e ações intimidantes. Principalmente quando ele ameaça a bebê Sunny. É um vilão horrível, mas, ainda continua muito engraçado.

As intervenções do narrador Lemony, neste livro, estão bem melhores. Ele brinca com as palavras e significados e também faz graça em momentos de suspense. Suspeito que só melhora daqui pra frente.

Esse livro é bem mais engraçado que o anterior.

Abaixo, um trecho melancólico:
"É uma coisa curiosa, a morte de um ente querido. Todos sabemos que nosso tempo neste mundo é limitado, e que finalmente todos acabaremos debaixo de algum lençol, para não acordar nunca mais. No entanto, é sempre uma surpresa quando isso acontece a alguém que conhecemos. É como subir a escada para o seu quarto no escuro, e achar que há mais de um degrau do que realmente há. O pé resvala no ar e segue-se um aflitivo momento em que, colhida às cegas pela surpresa, a pessoa tenta adaptar-se à escuridão."