Mostrando postagens com marcador filosofia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador filosofia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Ghost in the Shell - Masamune Shirow

A história se passa no futuro, no ano de 2029, e acompanha as missões da seção 9, um grupo antiterrorista, especializado em crimes cibernerticos e composto por ciborgues e humanos. A protagonista é a Major Motoko, uma ciborgue de personalidade despachada e com senso de humor apurado.

Não foi uma leitura que me agradou, apesar de alguns aspectos positivos que destaco mais adiante. Porém, reconheço que o assunto não me atrai, e desconheço muito do que se fala na história sobre robótica, inteligencia artificial e armamentos. Isso tudo deixou a história pra mim mais confusa e mais intrincada do que já é naturalmente. Também me incomodou bastante a maneira objetificada e fetichista como a protagonista é mostrada. Não só a protagonista, mas todas as personagens femininas dessa historia são exibidas nuas, em poses sensuais, erotizadas, em ângulos claramente direcionados para destacar certas partes do corpo feminino.

Além disso, não existe desenvolvimento de personagens, todos eles são apresentados de forma superficial. Não sei se foi intencional, já que a maioria é robô. Mas fica dificil se apegar a personagens sem substância. A leitura é cansativa, e só apresenta algum vigor na terceira e última parte, quando aparece o vilão Mestre dos fantoches.

Para os pontos positivos, destaco as notas de rodapé. O autor usa bastante esse recurso ao longo do mangá para conversar com o leitor sobre a própria obra, sobre ciência, filosofia e assuntos aleatórios. Pra mim, ficou sendo a melhor parte do livro, pois instiga algumas reflexões interessantes (como quando pergunta: Quais são os três maiores acontecimentos da humanidade? Eu diria: a roda, o fogo e a eletricidade.)

Outro aspecto interessante é a sociedade futurista em que a história é ambientada. Composta por humanos e robôs, tecnologias avançadas, etc. Também achei interessante existir uma certa hierarquia entre os robôs, sendo alguns considerados de “baixo nível”, conforme a tecnologia utilizada ou ano de lançamento. Infelizmente, nenhum desses aspectos é apropriadamente desenvolvido pelo autor.

Bom, o livro tem uma história confusa, que promete muito, mas entrega pouco. A leitura é arrastada, apesar de ser um  mangá (leitura de imagem, mais curta e mais rápida). A impressão que fica é que poderia ter sido uma grande história, mas que se perdeu em algum lugar entre roteiro e o desenvolvimento de personagens. 

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

As Brumas de Avalon - Marion Zimmer Bradley (4 volumes)

Meu conhecimento sobre as histórias do Rei Artur era inexistente até ano passado, quando fui apresentada a Howard Pyle e o seu Rei Artur e os cavaleiros da Távola Redonda. Antes disso, apenas sabia de ouvir falar sobre o romance de Lancelote com a rainha, e alguma pouca coisa sobre o santo graal e os cavaleiros do Rei Artur. Minha primeira experiência com as lendas arturianas não foi muito boa, e a primeira impressão dos personagens também não foi das melhores. Mas persisti e encontrei essa pérola de Marion Zimmer Bradley, que me deixou arrebatada do início ao fim.

As Brumas de Avalon é uma história em 4 volumes que conta como foi o reinado de Artur e do pai dele, Uther, a partir da perspectiva de quatro mulheres: Gwenhwyfar, Morgana, Mourgause e Igraine, sendo Morgana a protagonista. Aqui e acolá também nos encontramos com Viviane e Niniane, Rainhas do Lago e Senhoras de Avalon, e também Nimue, uma sacerdotisa de Avalon com uma história tristíssima. Entre as guerras enfrentadas contra os saxões pelos reis Uther e Artur, acompanhamos também outra guerra, a maior de todas, o confronto da velha religião com a nova, o cristianismo. Morgana encara o avanço do cristianismo como um mal que precisa ser freado. Na sua visão, os velhos costumes e o povo antigo estão em perigo, e é preciso fazer alguma coisa para barrar esse mal. 

Além desse aspecto político-religioso, presentes nos quatro volumes, encontramos também outros temas essenciais na obra, como homossexualidade, incesto e adultério. A posição social da mulher e a sua relação com a igreja católica também são temas presentes. Todos eles, junto com personagens inesquecíveis, contribuem para o caráter subversivo dessa obra. Além disto tudo, o texto da autora é inteligente e envolvente, e cativa o leitor do início ao fim.

Por ser uma história que abrange muitos anos e algumas gerações de personagens, é até injusto destacar só alguns. Mas preciso mencionar aqueles que me seduziram e que me deixaram o desejo de ler mais e saber mais sobre eles: Viviane, Kevin, o harpista e a própria Morgana, os três com histórias lindas, tristes e trágicas. Sinto falta de não estar lendo mais sobre suas vidas.

A queda e ascensão de Morgana estão entre as partes mais emocionantes e mais bonitas de todos os volumes, o desfecho da história de Viviane entre os mais surpreendentes e o final é simples e poético.

Achei extremamente bem feito como a autora deixa uma sensação de passagem de tempo muito forte. Li os livros um atrás do outro, mas tenho o sentimento de anos e anos de diferença do primeiro até o último. Como se Gorlois e Uther, e até mesmo Igraine, fossem personagens de uma outra vida, achei isso sensacional.

Mesmo depois de terminada a leitura, já faz algumas semanas, ainda penso nos mistérios de Avalon e nos encantamentos da Senhora do Lago, e quero retornar logo a este mundo, numa nova leitura. Sem dúvida, até aqui, já antecipo, foi a melhor leitura do ano.

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Orange - Ichigo Takano (5 volumes)

Orange é um mangá curto, de apenas 5 volumes,  ambientado numa escola no interior do Japão.

A história começa com a chegada de uma carta do futuro, recebida pela protagonista Naho. Nesse mesmo dia, um aluno novato chamado Kakeru é apresentado na classe de Naho.  A carta do futuro trata justamente de Kakeru e dos arrependimentos da Naho do futuro, que foi incapaz de ajudar Kakeru e não conseguiu impedir que ele cometesse suicídio, meses depois.

Com a ajuda da carta do futuro, Naho precisa fazer de tudo para tornar a vida de Kakeru mais feliz, e vai, aos poucos, mudando o futuro dele (e o dela também), para evitar que a vida dele tenha o fim trágico alertado na carta.

Não gosto muito de dramas, prefiro correr de histórias que envolvem lágrimas e mortes. Mas esse mangá me chamou a atenção pelo debate sobre viagens no tempo, universos paralelos e paradoxo temporal, provocados pelo aparecimento da tal carta do futuro. Embora esse não seja o tema principal do mangá, e a explicação final sobre a carta ter deixado a desejar, a leitura foi divertida.

E o mangá é mto fofo! Naho é uma menininha que ainda não sabe expressar os seus sentimentos e se vê forçada a amadurecer mais rápido, a fim de ajudar o amigo a não morrer.  É um manga um pouco angustiante também, pois não sabemos se no fim ela conseguirá ou não salvar o amigo. A força da amizade verdadeira é o motor principal dessa história, o que ajudar a diminuir o peso do tema suicídio, dando ao mangá um ar mais leve e mais ameno.

Ao tentar dar um final feliz a história do amigo, Naho também aprende a importância de tratar bem as pessoas, de se esforçar e dar o seu melhor todos os dias. E também descobre que são as pequenas coisas que realmente importam, pequenos gestos, como um sorriso ou um bom dia, podem fazer a diferença na vida de outra pessoa.

Como toda boa história, Orange tem uns pontos negativos. Um lugar comum aqui, uma pieguice acolá, mas que de forma alguma vão estragar a leitura, e também não vão obstruir a cascata de lágrimas que aguardam o leitor no fim do quinto volume. 

segunda-feira, 20 de junho de 2016

A Torre Negra: O Pistoleiro - Stephen King

Poxa! não gostei. Estava com uma expectativa enorme pra essa história, principalmente depois de saber da produção cinematográfica que está em andamento. Mas, não fui conquistada nem pela história, nem pelos personagens, nem pelo autor.

O início é bem promissor, o pistoleiro do título está à caça de um bruxo, a quem chama de homem de preto. O bruxo foge para um lugar chamado Torre Negra, e o pistoleiro segue atrás.

 A história fica muito boa em poucas partes. O resto é muita enrolação. Nada acontece, tudo é lento. Como já mencionado, os personagens não tem carisma, não dá pra torcer pra ninguém, todos são chatos. Tem uma mistura descabida de gêneros literários (aventura, fantasia, terror...), é tanta coisa que acaba não sendo nada. A história é confusa, arrastada. Percebi um certo tom filosófico, mas falso, forçado. Confesso que faltou pouco para abandonar o livro.

As partes boas que eu destaco são apenas duas: o encontro com o velho, logo no início, e o massacre na cidade de Tull. O resto é enrolação e enchimento de linguiça.

Meu primeiro encontro com Stephen King não foi nada agradável. Não pretendo ler nada dele por enquanto. E, por hora, nem sei se quero ver o filme.
"Uma rajada de granito soprou sobre a cabeça do homem de preto; uma segunda rajada, à esquerda de seu capuz; uma terceira, à direita. O pistoleiro errara por completo todas as três vezes."

quinta-feira, 19 de março de 2015

A arte de ter razão: exposta em 38 estratagemas - Arthur Schopenhauer (Organização e ensaio de Franco Volpi)

Posso sugerir outros títulos para este livro: Manual para ganhar debates, ou A arte de parecer certo, ou A arte de vencer debates de forma desonesta. A proposta do autor aqui é estar certo a qualquer custo. Schopenhauer idealizou 38 artimanhas para aqueles que pretendem estar sempre com razão, independente da verdade. Esse projeto provou-se tão indigno que o próprio autor achou melhor abandoná-lo, escrevendo apenas 38 dos 40 estratagemas previstos.

Apesar do projeto se mostrar um tanto desonesto mesmo, a discussão que se segue a ele e o exame que fazemos, no final do livro, ao ler o ensaio de Franco Volpi, nos revela um campo muitíssimo interessante, o da dialética erística.

Erística, até então não conhecia essa palavrinha. A erística é um dos ramos da dialética que não tem como propósito a verdade, mas a ilusão da verdade. Aqui as aparências importam. Na erística, o que vale é a obtenção da razão, sem se preocupar com os fatos ou com a verdade.

Schopenhauer criou os seus estratagemas baseado na dialética erística, e logo na lição número 1, diz que "o que importa não é a verdade, mas a vitória". Em outro ponto, sugere enraivecer o adversário, para que o seu raciocínio falhe e a vitória se torne mais fácil. Propõe também classificar o argumento do oponente em grupos odiosos, como nazismo e fascismo. Se, em alguns pontos as dicas são desonestas, em outros, dá pra acolher o ensinamento. Como no truquezinho ensinado com as palavras inovação e mudança. Ou quando aconselha generalizar o argumento do oponente, para torná-lo mais frágil.

Se este livro possui um ponto negativo, seria na decisão de não traduzir os termos em latim, grego, francês, etc... deixando o leitor que não tem conhecimento dessas línguas (o meu caso), um pouco perdido na leitura.

De qualquer forma, o livro se mostrou surpreendente. Imperdível para os que gostam de um bom debate. E um bom aprendizado para aqueles que gostam de estar sempre com a razão.

Estratagema 8: Provocar raiva no adversário, pois, tendo raiva, ele não estará em posição de julgar corretamente nem de perceber a própria vantagem. Para deixa-lo com raiva é preciso ser injusto com ele, de modo declarado, atormentando-o e comportando-se, em geral, com impudência.